O comércio do Espírito Santo terá de ajustar escalas a partir de dezembro de 2026, quando entra em vigor a primeira etapa da redução da jornada para 42 horas semanais, resultado da Emenda Constitucional nº 141, promulgada em 16 de outubro. Empresários alertam para o impacto nos custos operacionais e na necessidade de contratar mais pessoal, enquanto representantes dos trabalhadores defendem que a reorganização das escalas é factível e trará ganhos à saúde dos empregados. O período chega às vésperas do Natal, temporada de maior movimento para o varejo, elevando a pressão sobre lojistas.
O que muda com a emenda e prazos
A Emenda Constitucional nº 141 determina duas mudanças centrais: a garantia de dois dias de descanso remunerado por semana e a redução gradativa da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. A primeira etapa, prevista para dezembro de 2026, fixa o limite em 42 horas; a conclusão da transição, para 40 horas, ocorrerá em dezembro de 2027.
Leia também: Concurso Câmara Piúma oferece salários de até R$ 9.018,78
Para o setor varejista, a medida exige revisão de contratos, escalas e dimensionamento de equipes. O ajuste deverá ser feito em um calendário apertado, dado o aumento natural na demanda durante o Natal e o final do ano.
Preocupações do comércio capixaba
Marcus Magalhães, diretor de Relações Institucionais da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES), aponta que a escassez de mão de obra já é um problema no Estado. Segundo ele, a necessidade de reorganizar escalas e, possivelmente, ampliar quadros pode elevar os custos, pressionando sobretudo pequenos e médios estabelecimentos.
Os comerciantes temem efeitos como aumento de horas extras, necessidade de contratação temporária para o Natal e maiores despesas com folha de pagamento. Há também apreensão sobre a capacidade de encontrar trabalhadores qualificados em curto prazo, num mercado já competitivo.
Visão dos trabalhadores e impacto na saúde
O Sindicato dos Empregados do Comércio do Espírito Santo (Sindicomerciários-ES) avalia que a adaptação das escalas é possível e defende os benefícios da redução da jornada para a saúde física e mental dos empregados. A entidade ressalta que menos horas semanais podem diminuir o desgaste e o absenteísmo, além de melhorar a qualidade de vida.
O sindicato também considera o período natalino um teste prático para as novas escalas, permitindo ajustes e avaliação de arranjos como contratações temporárias, redistribuição de turnos e adequação de horários de abertura e fechamento das lojas.
Desafios operacionais e alternativas
Especialistas e representantes do comércio apontam algumas alternativas para mitigar impactos: revisão de jornadas, investimento em tecnologia para otimizar atendimento, maior uso de vendas online e negociação coletiva para adaptar convenções às particularidades do setor. Pequenos e médios varejistas ainda poderão buscar medidas de custo-benefício, como pluralidade de turnos e contratações temporárias bem planejadas.
Autoridades trabalhistas e empresários deverão acompanhar indicadores de emprego e produtividade nos próximos meses para avaliar os efeitos práticos da mudança. O período entre dezembro de 2026 e o fim do ano será usado por muitos para testar soluções, enquanto a adaptação completa fica marcada para dezembro de 2027.
Mais notícias relacionadas

Portal Vitória em Dia
Informação com credibilidade e compromisso com a verdade.
Notícias, atualidades e os fatos que fazem a diferença.


