Um homem foi amarrado e levado a um chamado ‘tribunal do crime’ em Viana após uma briga motivada por desentendimentos amorosos, segundo investigações da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Viana. O caso, que tem como um dos investigados Júlio César Jordão Moté, o Julinho, de 26 anos, resultou em uma ligação por vídeo com o apontado chefe do tráfico no bairro Bom Pastor, que determinou que a vítima fosse submetida a um “corretivo” e mantida amarrada, sem autorização para execução. Investigadores destacam que a disputa envolvia rumores sobre relações passadas e atuais entre os envolvidos, não havendo, inicialmente, vínculo direto com disputa por pontos de tráfico.
Motivação: ciúmes e boatos
Conforme explicou o delegado Cleudes Junior, responsável pela DHPP de Viana, a origem do conflito chamou atenção por fugir do padrão de confrontos relacionados ao controle de drogas. Segundo as apurações, o conflito teve início após circularem rumores de que a vítima estaria tentando reatar contato com a ex-companheira de Julinho, ao mesmo tempo em que se dizia que Julinho mantinha contato com a atual companheira da vítima.
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Esses boatos teriam gerado ressentimento entre os dois homens e culminaram em um encontro em que a vítima foi procurar Julinho para esclarecer a situação. O encontro acabou em violência quando integrantes do grupo imobilizaram a vítima.
Seqüência dos fatos: imobilização e vídeo chamada
De acordo com a polícia, após a imobilização a vítima foi levada por seus agressores até um campo de futebol. No local, os suspeitos realizaram uma chamada de vídeo com Carlos Alberto dos Santos Gonçalves Júnior, conhecido como Beka ou Bequinha, de 38 anos, apontado nas investigações como chefe do tráfico no bairro Bom Pastor.
A vítima relatou aos investigadores que, durante a chamada, o traficante afirmou que não autorizava a execução. A ordem foi para que o homem fosse submetido a um corretivo e mantido amarrado, conforme detalhou o delegado Cleudes Junior.
Investigação e implicados
As apurações da DHPP identificaram Julinho como um dos autores do episódio. A polícia analisa o papel dos demais envolvidos na imobilização e no transporte da vítima até o local onde a chamada de vídeo foi feita. Não há, até o momento, registro de que a vítima tenha sido morta, mas as autoridades continuam colhendo depoimentos e provas para definir responsabilidades.
O delegado destacou que, apesar da participação do líder do tráfico na definição do destino da vítima, a motivação principal do episódio parece ter sido pessoal — ligada a ciúmes e à circulação de boatos sobre relações amorosas — e não disputa pelo controle de pontos de venda de drogas.
Consequências e próximos passos
A polícia trabalha para localizar e ouvir todos os envolvidos e avaliar medidas cautelares, inclusive prisões preventivas, se houver necessidade. A DHPP também busca confirmar a cronologia exata dos fatos e identificar quem participou diretamente da violência física e da custódia da vítima no campo de futebol.
Autoridades alertam que episódios de violência motivados por boatos e desentendimentos pessoais podem escalar rapidamente quando há envolvimento de grupos armados ou criminosos locais, e reforçam a importância de denúncias que ajudem na identificação de responsáveis.
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