Como 1907: a ascensão que levou o clube da Série D à elite europeia

Como 1907: a ascensão que levou o clube da Série D à elite europeia

Futebol

O clube conhecido como Como 1907 saiu da quarta divisão italiana em 2018/19 e, graças a aportes financeiros e a reforços de peso, retornou à Série A em poucos anos, culminando em campanhas sólidas e desempenho destacado na elite do futebol europeu. A transformação, iniciada a partir de meados de 2019, foi impulsionada por investimento de um conglomerado indonésio e por políticas de contratações e estruturação esportiva. O processo mostra como injeção de recursos e planejamento podem alterar rapidamente o rumo de um clube centenário.

Raízes centenárias e altos e baixos

Fundado em 1907 como Como Foot-Ball Club, o time do norte da Itália teve sua primeira aparição na elite já em 1913/14. Ao longo do século XX, alternou momentos de protagonismo com temporadas instáveis: em 1949/50 obteve seu melhor resultado até então, terminando em sétimo lugar, e na metade da década de 1980 viveu campanhas razoáveis, com a presença do meia brasileiro Dirceu nas temporadas 1985/86 e 1986/87, quando sumarizou dois 9º lugares consecutivos.

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O declínio começou no final dos anos 1980, com o rebaixamento à segunda divisão em 1988/89. Na década de 1990 o clube oscilou entre as divisões inferiores e, apesar de um breve ressurgimento no início dos anos 2000 — campeão da Série B em 2001/02 com 23 gols do atacante Luís Oliveira — sofreu nova queda e problemas administrativos que culminaram na falência decretada em dezembro de 2004.

Reestruturação e retorno às divisões profissionais

Após a falência, uma nova administração reconstruiu o clube nas divisões inferiores. O Como voltou à Série B na temporada 2015/16, mas não conseguiu se manter, terminando na 22ª e última colocação. Foi apenas a partir de 2018/19 que a trajetória começou a mudar de forma mais drástica.

Investimento indonésio e estratégia esportiva

Em meados de 2019, os empresários indonésios Robert Budi Hartono e Michael Bambang Hartono adquiriram o clube por cerca de 220 mil euros (aproximadamente R$ 1,2 milhão à época). Desde então, o grupo realizou aportes estimados em cerca de 300 milhões de euros (cerca de R$ 1,7 bilhão), direcionados à estrutura, elenco e infraestrutura do clube.

Com esse investimento, o Como conquistou a Série D em 2018/19 e a Série C na temporada 2020/21, passos determinantes para a escalada rumo às divisões superiores. Na temporada 2023/24, com o meia Cesc Fàbregas no plantel, o time terminou a Série B em segundo lugar, garantindo o acesso à primeira divisão italiana.

Retorno à elite e novos rumos

No retorno à Série A, Fàbregas, já aposentado como jogador, assumiu o cargo de técnico, trazendo experiência internacional ao comando. Entre os reforços, a chegada do jovem argentino Nico Paz, por empréstimo do Real Madrid, foi apontada pela imprensa como investimento para o meio-campo e para o futuro da equipe.

Na primeira temporada após o acesso, o clube terminou a Série A em 10º lugar, resultado visto como um passo sólido para um projeto que, em menos de uma década, passou da quarta divisão para a consolidação na elite nacional e com projeção europeia.

Impacto e desafios futuros

A transformação do Como exemplifica como capital externo aliado a planejamento esportivo pode produzir uma ascensão rápida no futebol moderno. Ainda assim, o clube enfrenta desafios estruturais e financeiros típicos de equipes em processo de profissionalização, como sustentabilidade orçamentária e formação de elenco competitivo a longo prazo.

O caso do Como 1907 também levanta debates mais amplos sobre o papel de investidores estrangeiros no futebol europeu, a preservação da identidade de clubes históricos e a necessidade de equilíbrio entre ambição esportiva e gestão responsável.