O veto às casas de apostas no Brasil provocou queda expressiva nas receitas de vários clubes da Série A, com Flamengo, Corinthians e Palmeiras registrando as maiores perdas, segundo levantamento do economista Cesar Grafietti divulgado em 27 de outubro de 2026. O estudo calcula reduções na receita recorrente decorrentes da perda de patrocínios e de placas publicitárias ligadas às bets. O efeito varia conforme o horizonte considerado: perda anual completa ou apenas o período de outubro a dezembro de 2026.
Queda anual calculada: quem mais sofre
No cenário que considera o impacto ao longo de um ano, o Flamengo é o mais afetado, com retração de 26% na receita recorrente. O clube passaria de R$ 1,3 bilhão para R$ 967,2 milhões, perdendo R$ 334,5 milhões em patrocínios e placas. O levantamento preserva a distinção entre receitas recorrentes e eventos extraordinários, não incluindo vendas de atletas nem premiação da Copa do Mundo de Clubes de 2025.
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O Corinthians aparece em seguida, com redução de 23%: a receita recorrente estimada caiu de R$ 879,4 milhões para R$ 681,4 milhões, uma perda total de R$ 198 milhões. O Palmeiras teria retração de 22%, com receita ajustada de R$ 570 milhões ante R$ 733 milhões antes do veto, por conta de R$ 163 milhões deixados de receber em patrocínios e placas.
Demais clubes e impacto relativo
O estudo considerou os dez clubes com os maiores patrocínios de casas de apostas na Série A e aponta efeitos variados entre eles, conforme a dependência de receitas ligadas às bets. Apesar de os percentuais mais altos estarem concentrados nos três primeiros, a análise ressalta que o choque afeta o mercado como um todo, independentemente do tamanho das perdas individuais.
O economista responsável pelo levantamento alerta para a falta de preparação dos clubes diante de um corte tão abrupto nas receitas. “Os clubes não estão prontos para lidar com o corte abrupto. Estamos discutindo a proibição absoluta e o encerramento da indústria do dia para a noite. Nenhuma indústria estaria preparada para isso. Não existe a possibilidade de qualquer indústria que tem um perfil de receita perder esse valor e não ter impacto”, afirmou Cesar Grafietti.
Cenário restrito: veto só até dezembro de 2026
Grafietti também projetou um segundo cenário, no qual o veto às bets valeria apenas até o fim do ano, ou seja, com perdas concentradas entre outubro e dezembro de 2026 — hipótese que dependeria de o Congresso derrubar a medida provisória que determinou o veto. Nesse quadro mais curto, os percentuais de queda são menores, mas ainda significativos para o planejamento financeiro dos clubes.
Nesse cenário limitado, Flamengo, Corinthians e Palmeiras teriam cada um uma redução de aproximadamente 6% na receita anual de 2026. Outros clubes afetados nesse recorte incluem Vasco (5%), São Paulo (5%), Botafogo (4%), Atlético-MG (4%), Fluminense (4%), Santos (3%) e Cruzeiro (2%).
Implicações financeiras e necessidade de ajuste
Ao destacar a imprevisibilidade do corte, o levantamento aponta para riscos imediatos na capacidade de pagamento e investimento dos clubes, inclusive em compromissos salariais, infraestrutura e contratações futuras. A substituição das receitas de apostas por patrocinadores alternativos pode levar tempo e exigir renegociações contratuais e redução de custos.
Para clubes com grande dependência de contratos com casas de apostas, o estudo indica que medidas de ajuste orçamentário e busca por novas fontes de receita serão essenciais para mitigar os efeitos no curto e médio prazos.
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