Em um cenário de efervescência pré-Copa do Mundo, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, utilizou suas redes sociais para destacar a profunda conexão entre o futebol e a mobilização social. Em um vídeo divulgado no último sábado, 13 de junho de 2026, antes do confronto entre Brasil e Marrocos, Mamdani não apenas celebrou o esporte, mas também prestou uma homenagem especial ao ex-jogador brasileiro Sócrates e ao icônico movimento da Democracia Corinthiana.
A declaração do prefeito, que ecoou a importância do futebol como uma ferramenta para a mudança social, ressoa em um momento em que Nova York se prepara para ser uma das sedes da Copa do Mundo nos Estados Unidos. Suas palavras sublinham a capacidade do esporte de transcender as quatro linhas, tornando-se um catalisador para a solidariedade e a luta por ideais maiores.
A voz de Nova York e a celebração do esporte como união
Zohran Mamdani, que assumiu a prefeitura em janeiro de 2026 como o primeiro muçulmano e o mais jovem a ocupar o cargo desde 1892, trouxe uma perspectiva única para a discussão. Descendente de imigrantes e autodeclarado socialista, Mamdani é conhecido por suas posições progressistas, incluindo críticas ao ex-presidente Donald Trump e apoio à causa palestina. Sua fala, portanto, carrega um peso significativo ao abordar o futebol como um espaço de pertencimento para milhões de pessoas, muitas delas marginalizadas.
“O futebol criou movimentos, ajudou a derrubar ditadores e, por 90 minutos, não só nos permitiu esquecer nossos problemas, como também encontrar maneiras de superá-los. Que jogo lindo”, ressaltou o prefeito em sua mensagem. Ele enfatizou que a celebração da Copa do Mundo na cidade vai além dos gols e desarmes, focando na construção de um senso de comunidade e solidariedade global.
Democracia Corinthiana: um legado de luta e participação
O coração da mensagem de Mamdani reside na exaltação da Democracia Corinthiana, um movimento que marcou profundamente a história do futebol brasileiro. Nascida em um período de ditadura militar no Brasil, a iniciativa visava a maior participação dos jogadores e demais funcionários nas decisões do Corinthians. Por meio do voto, membros do clube ganharam o direito de influenciar desde horários de treino até detalhes da concentração.
O movimento ganhou força a partir de 1982, sob a presidência de Waldemar Pires, que abriu o diálogo com o elenco profissional. Lideranças politizadas como Sócrates, Wladimir, Casagrande, Biro-Biro, Zé Maria e Zenon emergiram como vozes ativas do grupo. A influência da equipe extrapolou os limites do campo, com o Corinthians estampando em suas camisas frases de cunho político, como “Diretas Já”, em um claro alinhamento com os movimentos sociais que lutavam pela redemocratização do país.
A Democracia Corinthiana, embora tenha durado alguns anos e perdido força em 1984 com a saída de Casagrande para o São Paulo e Sócrates para a Fiorentina, deixou um legado inegável. Durante esse período, o time conquistou o Campeonato Paulista três vezes (1982, 1983 e 1988) e, em 1990, alcançaria seu primeiro Campeonato Brasileiro. Para mais detalhes sobre este movimento histórico, você pode consultar este artigo.
Sócrates: o craque que capitaneou a liberdade
No vídeo, o prefeito Zohran Mamdani fez questão de relembrar a atuação de Sócrates, o “Doutor”, como meio-campo brasileiro nas décadas de 1970 e 1980, incluindo sua capitania na seleção da Copa do Mundo de 1982. “Foram anos difíceis para o Brasil. Uma ditadura militar repressiva governava o país, impondo seu domínio pela força. No Corinthians, clube que capitaneou, Sócrates e seus companheiros participaram do que todo brasileiro comum sonhava: democracia”, destacou Mamdani.
Ele descreveu o experimento de autogoverno como um modelo onde, “independentemente de ser o craque do ataque ou o funcionário da lavanderia, todos tinham o mesmo voto”. A imagem de Sócrates liderando os jogadores em campo, com jaquetas que proclamavam “Quero votar no meu presidente”, enquanto a ditadura torturava e assassinava cidadãos, é um testemunho poderoso do papel que o futebol pode desempenhar na resistência e na busca por direitos civis.
A Copa do Mundo de 2026 e a ressonância da mensagem
A fala do prefeito de Nova York ganha ainda mais relevância com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, que terá jogos em Nova York e Nova Jersey. A estreia do Brasil contra Marrocos, que terminou em empate de 1 a 1 no MetLife Stadium, em Nova Jersey, serviu como pano de fundo para a mensagem de Mamdani. Ao trazer à tona a história da Democracia Corinthiana, ele convida a uma reflexão sobre o potencial do esporte para inspirar e unir, mesmo em um contexto de grandes eventos globais.
A visão de Zohran Mamdani sobre o futebol como um esporte que empodera os “pobres e esquecidos” e fomenta a solidariedade é um lembrete de que o esporte vai muito além da competição. É uma plataforma para a expressão de valores, a construção de identidades e, em muitos casos, um motor para a transformação social e política. A história de Sócrates e do Corinthians serve como um farol, mostrando que a paixão pelo jogo pode ser canalizada para causas maiores, ecoando a voz do povo em momentos cruciais da história.
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