Portos e rodovias em expansão deverão sustentar salto nas exportações de café do Espírito Santo

Portos e rodovias em expansão deverão sustentar salto nas exportações de café do Espírito Santo

Economia

O forte avanço das exportações de café do Espírito Santo intensificou o debate sobre a necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura logística e portuária para evitar gargalos que limitem a promoção do produto capixaba no mercado internacional.

Somente em julho, o Estado embarcou 775 mil sacas de café, volume 79% superior ao apurado no mesmo mês de 2025. O conilon foi responsável pela maior parcela desses embarques, com 692 mil sacas e crescimento de 90% em um ano, segundo dados apresentados no encontro.

O tema foi discutido no painel “Diálogos.ag”, realizado na quinta-feira (20) como parte da programação do Vitória Coffee Summit 2026, no Cais das Artes, em Vitória. O debate reuniu representantes de empresas envolvidas com terminais e movimentação de cargas no Espírito Santo e foi mediado pelo colunista Abdo Filho.

Compromisso com obras e tecnologia

Gustavo Paixão, diretor de Terminais da Log-In, destacou que a companhia aplicou cerca de R$ 400 milhões no Estado nos últimos quatro anos em aquisição de equipamentos, adoção de novas tecnologias e modernização para ampliar capacidade. Segundo ele, esses aportes deram contribuição ao crescimento das exportações, mas ainda há limitações estruturais a serem superadas.

“Precisamos seguir investindo em infraestrutura. Os acessos rodoviários e marítimos ao Porto de Vitória serão determinantes para manter o ritmo de crescimento”, afirmou Paixão, ao frisar que a deficiência de acessos não é problema exclusivo do Espírito Santo, mas que, localmente, sua melhoria é estratégica.

Planejar além da demanda imediata

Anderson Carvalho, diretor de Operações da Imetame, defendeu a antecipação de investimentos e a formulação de projetos com horizonte de médio e longo prazo. Ele citou a implantação do terminal da Imetame em Aracruz como exemplo: a obra foi iniciada mesmo sem contratos fechados com armadores ou cargas, com o objetivo de mostrar ao mercado que o projeto era viável e atrair negócios.

Carvalho afirmou que a estratégia é olhar a infraestrutura não apenas pela demanda atual, mas também por projetos futuros, para não esperar a sobrecarga da capacidade existente antes de agir.

Portos como indutores de desenvolvimento local

Pedro Benevides, CEO da Vports, ressaltou que a expansão da logística portuária tem efeitos multiplicadores além da movimentação de mercadorias. A chegada de novos terminais e a melhoria de acessos rodoviários tendem a estimular a instalação de armazéns, prestadores de serviço e outras empresas no entorno dos complexos portuários.

Como exemplo prático, Benevides lembrou da participação da Vports em um plano que implementou uma nova conexão ferroviária no Porto de Vitória, que facilita o transporte de ferro-gusa entre Minas Gerais e o complexo portuário da capital.

Os participantes concordaram que, para aproveitar o momento de expansão das exportações de café, o Estado precisa combinar investimentos em terminais, melhorias nos acessos e planejamento integrado entre setor público e privado, garantindo capacidade logística compatível com as metas de crescimento do produto capixaba no exterior.

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via A Gazeta – Economia