Petrobras e Finep investem R$ 150 milhões em eletrolisadores para hidrogênio de baixa emissão

Petrobras e Finep investem R$ 150 milhões em eletrolisadores para hidrogênio de baixa emissão

Economia Nacional

Em um movimento estratégico para impulsionar a transição energética e a soberania tecnológica do Brasil, a Petrobras e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) anunciaram nesta terça-feira (16) o lançamento de um edital conjunto. A iniciativa visa apoiar, com um investimento de até R$ 150 milhões, o desenvolvimento nacional de eletrolisadores de porte industrial. Este equipamento é crucial para a produção de hidrogênio de baixa emissão de carbono, um vetor energético promissor na luta contra o aquecimento global e as mudanças climáticas.

A aposta no eletrolisador reside em sua capacidade de converter água em hidrogênio utilizando eletricidade, um processo que, quando alimentado por fontes renováveis, resulta em um combustível limpo, com impacto ambiental significativamente reduzido. A medida representa um passo importante para a descarbonização da economia brasileira, alinhando o país às tendências globais de sustentabilidade e inovação.

O papel estratégico do hidrogênio na transição energética

O hidrogênio de baixa emissão de carbono, frequentemente chamado de hidrogênio verde quando produzido a partir de energias renováveis, é considerado um dos pilares da futura matriz energética global. Sua versatilidade permite que seja utilizado em diversos setores, desde a indústria pesada e transportes até a geração de energia, sem emitir gases de efeito estufa em sua queima ou uso em células a combustível.

Para o Brasil, com seu vasto potencial em energias renováveis como solar, eólica e hídrica, o desenvolvimento de uma cadeia produtiva de hidrogênio verde representa uma oportunidade ímpar. Além de contribuir para as metas climáticas, pode posicionar o país como um player relevante no mercado internacional de energia limpa, gerando novas indústrias, empregos e inovação tecnológica.

Desafio tecnológico e soberania industrial

Apesar do potencial, o Brasil enfrenta um desafio significativo na produção de eletrolisadores. Segundo informações da Petrobras, o mercado nacional conta com poucas empresas capazes de fabricar esses equipamentos, e nenhuma delas produz o componente conhecido como “Stack” – o coração da máquina, onde ocorre a reação química que transforma a água em hidrogênio. Essa dependência tecnológica limita a capacidade do país de escalar a produção de hidrogênio de forma autônoma e competitiva.

O edital lançado pela Petrobras e Finep busca exatamente preencher essa lacuna, incentivando a pesquisa e o desenvolvimento local. A iniciativa visa não apenas a produção do eletrolisador completo, mas também o domínio da tecnologia do Stack, essencial para garantir a soberania tecnológica e reduzir os custos de produção em longo prazo. A meta é fortalecer uma cadeia tecnológica robusta, capaz de atender às demandas futuras do mercado brasileiro e, eventualmente, global.

Investimento robusto para o futuro

O edital prevê o apoio a um projeto estruturante, que deverá envolver uma rede de parceiros estratégicos. Para ser contemplado, o projeto precisa contar com a participação de, no mínimo, três empresas engajadas no desenvolvimento tecnológico, além de pelo menos uma Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT). Essa abordagem colaborativa visa maximizar a troca de conhecimento e a sinergia entre diferentes atores do ecossistema de inovação.

Os recursos disponibilizados serão não reembolsáveis, o que significa que as empresas e instituições beneficiadas não precisarão devolver o montante recebido. Desse total de R$ 150 milhões, R$ 75 milhões serão aportados pela Finep, enquanto os outros R$ 75 milhões virão da Petrobras, por meio de sua verba de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D,I). Além disso, as empresas beneficiárias deverão apresentar recursos de contrapartida, reforçando o compromisso com o projeto. Mais detalhes sobre a chamada pública podem ser encontrados na página da Finep.

Visão de futuro: descarbonização e competitividade

A cerimônia de assinatura do termo de cooperação e o lançamento do edital, realizados na sede da Petrobras, contaram com a presença de figuras importantes, como a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e a presidente da estatal, Magda Chambriard. A ministra Luciana Santos destacou que a iniciativa é fundamental para fortalecer uma cadeia tecnológica vital, apoiar a indústria nacional, baratear custos e preparar o país para os desafios energéticos do futuro.

Magda Chambriard, por sua vez, ressaltou que o edital terá um papel crucial na redução do custo de produção de hidrogênio por eletrólise, que ainda é considerado elevado. O presidente da Finep, Luis Antonio Elias, complementou, afirmando que a parceria reúne, de forma inédita, os principais instrumentos de apoio à inovação em energia, impulsionando um projeto com potencial para posicionar o Brasil de forma estratégica na cadeia global de hidrogênio. Este investimento conjunto sinaliza um compromisso firme com a inovação e a sustentabilidade, visando um futuro energético mais limpo e economicamente viável para o Brasil.

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