A sensação de pernas pesadas ao final do dia e o surgimento de varizes são frequentemente encarados como meras consequências da rotina ou do envelhecimento. No entanto, esses sinais podem ser muito mais do que um simples cansaço, indicando uma condição médica crônica e progressiva que afeta uma parcela significativa da população brasileira: a Insuficiência Venosa Crônica (IVC).
Esta doença, caracterizada pela dificuldade das veias das pernas em bombear o sangue de volta ao coração, é alarmantemente comum. Estimativas da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) revelam que entre 40% e 60% da população adulta do país apresenta algum grau de comprometimento venoso. A seriedade do problema é sublinhada por dados que mostram mais de 425 mil internações registradas no Brasil nos últimos dez anos, todas decorrentes de complicações relacionadas à IVC.
A complexidade da Insuficiência Venosa Crônica e sua prevalência
A IVC ocorre quando as válvulas unidirecionais dentro das veias, responsáveis por impedir o refluxo do sangue, deixam de funcionar adequadamente. Com isso, parte do sangue retorna e se acumula nos membros inferiores, elevando a pressão venosa e desencadeando uma série de sintomas que, se não tratados, tendem a se agravar com o tempo. A cirurgiã vascular Paola Morellato, da Angio+, enfatiza a natureza progressiva da doença: “A insuficiência venosa é uma doença progressiva. Quando não tratada adequadamente, pode comprometer a mobilidade, provocar dores persistentes e impactar significativamente a qualidade de vida do paciente”.
Embora a condição possa afetar qualquer indivíduo, alguns fatores aumentam consideravelmente o risco de desenvolvê-la. Entre os principais estão o histórico familiar de varizes, o sedentarismo, o excesso de peso, a gravidez e a permanência prolongada em posições que exigem muitas horas sentado ou em pé. A compreensão desses fatores é crucial para a prevenção e o diagnóstico precoce.
Sinais de alerta: identificando os sintomas que merecem atenção
Os sintomas da insuficiência venosa crônica geralmente surgem de forma gradual, o que muitas vezes leva os pacientes a ignorá-los ou a atribuí-los a outras causas. A cirurgiã vascular Samira Meneguelli explica que “os sintomas geralmente pioram no fim do dia e melhoram após períodos de repouso. Essa característica faz com que muitas pessoas demorem a procurar ajuda especializada”.
É fundamental estar atento a uma série de sinais que podem indicar a presença da IVC:
- Sensação de peso ou cansaço nas pernas;
- Inchaço nos pés e tornozelos;
- Dor, ardência ou queimação;
- Varizes e vasos aparentes;
- Coceira e alterações na pele, como ressecamento ou descamação;
- Escurecimento da região dos tornozelos, conhecido como dermatite ocre;
- Feridas que demoram a cicatrizar, as chamadas úlceras venosas.
Nos estágios mais avançados, a doença pode culminar no surgimento dessas úlceras venosas, que são feridas crônicas de difícil cicatrização, capazes de comprometer seriamente a mobilidade e exigir tratamentos prolongados e complexos.
Quando o problema se torna grave: riscos de trombose e embolia
A negligência com a insuficiência venosa crônica pode ter consequências muito mais severas do que o desconforto diário. Uma das maiores preocupações é a evolução para quadros de trombose. A Dra. Samira Meneguelli alerta: “Muitas vezes o processo começa com uma flebite, que é a inflamação de uma veia varicosa acompanhada da formação de coágulos. Em alguns casos, esse quadro pode se estender para o sistema venoso profundo”.
O risco mais grave associado a essa condição ocorre quando um desses coágulos se desprende da veia e viaja pela corrente sanguínea até os pulmões, causando uma embolia pulmonar. Esta é uma emergência médica potencialmente fatal que exige intervenção imediata. Além disso, a formação de úlceras venosas, embora menos fatal, representa um problema significativo de saúde pública, gerando dor intensa, limitações físicas, afastamentos do trabalho e um impacto considerável na qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares.
Diagnóstico preciso e as inovações nos tratamentos
O diagnóstico da insuficiência venosa é um processo que combina a avaliação clínica detalhada, o exame físico e, crucialmente, o Doppler venoso dos membros inferiores. “O exame permite avaliar o funcionamento das veias, identificar refluxos e mapear exatamente quais vasos estão comprometidos. Essas informações são fundamentais para definir a melhor estratégia de tratamento”, explica a Dra. Samira.
Nos últimos anos, a medicina vascular testemunhou avanços tecnológicos notáveis que revolucionaram o tratamento da IVC. Procedimentos minimamente invasivos, como a ablação por laser e a escleroterapia, passaram a oferecer aos pacientes opções com recuperação mais rápida, menos dor e menor impacto em suas rotinas diárias. A Dra. Paola Morellato ressalta essa evolução: “Hoje conseguimos tratar as veias doentes com técnicas modernas, menos dolorosas e com retorno mais precoce às atividades habituais”. Esses métodos representam um grande avanço, permitindo que mais pessoas busquem tratamento e melhorem sua qualidade de vida.
A conscientização sobre a Insuficiência Venosa Crônica é o primeiro passo para o diagnóstico e tratamento eficazes. Se você identificou algum dos sintomas mencionados, não hesite em procurar um especialista. Para mais informações sobre saúde, bem-estar e as últimas notícias que impactam o seu dia a dia, continue acompanhando o Vitória em Dia. Nosso compromisso é trazer informação relevante, atual e contextualizada para você.


