Atacante do Vasco é intimado a entregar passaporte em investigação no ES

Atacante do Vasco é intimado a entregar passaporte em investigação no ES

Futebol

Um atacante do Vasco foi intimado a entregar o passaporte em 30 de outubro de 2026, como parte de uma investigação da Polícia Civil do Espírito Santo que apura envolvimento com tráfico de drogas e tentativa de homicídio na Serra. A decisão decorre da análise de dados extraídos do celular de um investigado identificado como Edson, que teria trocado mensagens com o jogador e terceiros sobre armas, drogas e divisão de tarefas criminosas. Autoridades dizem que a medida busca preservar o andamento das diligências e evitar risco de fuga.

Mensagens no celular e suspeitas sobre controle do tráfico

Segundo o delegado responsável pelas investigações, a perícia no aparelho de Edson revelou diálogos que indicariam a ele e a outra pessoa, Ruan, como responsáveis pelo comando do tráfico no bairro Serra Dourada III, na Serra. Entre os conteúdos apreendidos havia trocas sobre compra de drogas, munição, prestação de contas e distribuição de funções dentro do grupo.

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Os investigadores apresentaram três conversas entre Edson e o jogador David Corrêa, em que são relatados detalhes de uma tentativa de homicídio, o estado de saúde da vítima e comentários que demonstraram conivência com a violência. Em uma das respostas atribuídas a David, consta a frase: “Mereceu tomar uns tiros mesmo”.

Referências a armas e negociação de veículo

Em outro trecho das mensagens, Edson teria enviado a David a foto de uma pistola, ao que o jogador teria respondido: “Tem que matar um para ver de qual é”. Esse tipo de trocas motivou a equipe da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra a aprofundar a apuração.

Investigadores também destacaram um diálogo em que Ruan solicita a Edson que intermedie com David a venda de um veículo. Em áudio encaminhado entre os envolvidos, Ruan pedia empréstimo para trocar o carro, que segundo eles estaria comprometido por ter sido utilizado na tentativa de homicídio; a conversa teria ocorrido três dias após o crime.

Compartilhamento de dados e sigilo sobre outros diálogos

Diante dos indícios, a polícia encaminhou a extração dos dados do celular de Edson ao Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat) para análises complementares. O delegado afirmou que existem outros diálogos sob segredo de Justiça que, por ora, não podem ser divulgados.

O relatório oficial que acompanha o inquérito inclui os três diálogos mencionados e registra que, durante a operação batizada de “A Tropa”, o celular do jogador David foi apreendido para perícia. As provas são usadas para sustentar as medidas cautelares, como a intimação para entrega do passaporte.

Função de Edson e menções a outros atletas

À polícia, o delegado responsável afirmou que Edson atuava como agente financeiro e administrador da carreira do jogador citado, além de, conforme as provas, exercer papel no tráfico local. “Controla a vida financeira, a carreira do investigado. E era um traficante também, posso afirmar com absoluta certeza diante das provas que temos nos autos”, declarou o delegado.

O nome de outro atleta, o lateral-direito Hayner William Monjardim Cordeiro, do Vila Nova (Goiás), aparece em menção ao caso, mas a investigação permanece em curso e detalhes sobre eventual participação estão sob sigilo. Autoridades destacaram que os clubes não têm relação com as apurações e cooperaram com as diligências.

Próximos passos

Com o passaporte retido, a expectativa da polícia é reduzir riscos de evasão enquanto prosseguem as perícias e a análise das comunicações encobertas. O inquérito segue em andamento e novas medidas podem ser adotadas conforme surgirem elementos da investigação.