Fronteira cultural: como Minas Gerais molda identidade e culinária de Baixo Guandu (ES)

Fronteira cultural: como Minas Gerais molda identidade e culinária de Baixo Guandu (ES)

Eventos

O segundo episódio da série “A Cultura da Divisa” percorre a divisa entre Espírito Santo e Minas Gerais para investigar a convivência entre Baixo Guandu (ES) e Aimorés (MG). Separadas pelo Rio Doce, as duas cidades mantêm laços que se manifestam no idioma, na alimentação, nas festas e na rotina dos moradores.

Segundo episódio da série 'A Cultura da Divisa' chega a Baixo Guandu
Segundo episódio da série “A Cultura da Divisa” chega a Baixo Guandu — Crédito: Giovana Drumond

Sotaque e identidades

Por estar colada a Aimorés, Baixo Guandu absorve várias marcas do jeito mineiro de falar. O capixaba Vinícios França, 32 anos, nascido e criado em Baixo Guandu, observa que expressões e entonações típicas de Minas estão entranhadas na fala local.

“A gente acaba incorporando palavras e formas de falar comuns em Minas, como ‘uai’ e ‘trem’, sem perceber exatamente quando isso começou. Há uma troca diária entre as duas cidades e essa convivência já é parte da nossa identidade”, afirma Vinícios.

Segundo ele, ao deslocar-se para outras áreas do Espírito Santo, especialmente litorâneas, é possível notar diferenças no vocabulário, na maneira de se expressar e até nas tradições sociais.

Sabores do interior

A influência mineira é evidente na mesa guanduense. Pratos como feijão tropeiro, torresmo, frango com quiabo e outras receitas típicas do interior aparecem com frequência. O angu, consumido no município, é comparado pelos moradores à polenta.

O município também abriga muitos criadores de gado; a produção de leite abastece a fabricação local de queijos, doces de leite e pão de queijo, itens presentes no cotidiano gastronômico da região.

Pratos de influência mineira
Pratos com influência mineira — Crédito: Shutterstock

Música, lazer e trabalho

Na esfera cultural, estilos como sertanejo, forró e música caipira predominam, refletindo a forte presença das tradições do interior. Eventos, rádios e redes sociais facilitam a circulação de tendências culturais vindas de Minas Gerais para Baixo Guandu.

Além do intercâmbio cultural, muitas rotinas do dia a dia atravessam a divisa: moradores circulam entre os dois estados para trabalhar, visitar parentes, fazer compras e participar de festas e celebrações.

“Conseguimos aproveitar o melhor das duas culturas. Mantemos nossa identidade capixaba, mas também carregamos muitos costumes mineiros — isso aparece na comida, na música, nas festas e no jeito acolhedor das pessoas”, resume Vinícios.

Rampa do Monjolo, Capela do Maquiji e Igreja Matriz São Pedro
Rampa do Monjolo, Capela do Maquiji e Igreja Matriz São Pedro — Crédito: Vinícios França
Rota Monjolo, Pedra da Galinha e Cachoeira da Água Santa
Rota Monjolo, Pedra da Galinha e Cachoeira da Água Santa — Crédito: Vinícios França

Conheça mais

O episódio convida o público a assistir ao vídeo que mostra paisagens, tradições e depoimentos de moradores de Baixo Guandu e Aimorés, ilustrando como a proximidade geográfica se traduz em intercâmbio cultural contínuo.

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via A Gazeta – Cultura