Três mulheres do Espírito Santo que se identificam como bruxas relataram, em depoimentos publicados em 31 de outubro de 2026, como suas práticas cotidianas se afastam dos estereótipos e por que enfrentam preconceito ligado à religião e à ligação com a natureza. Entre elas estão uma terapeuta, Morgana e Luzi, que descrevem atividades que vão de trabalho com ervas e oráculos a ações de acolhimento e caridade. Segundo as entrevistadas, a rejeição a tradições naturais e de matriz africana alimenta a visão distorcida de que tudo fora de determinadas crenças seria maléfico.
Práticas diversas e rotina cotidiana
As histórias das três capixabas mostram que a bruxaria não é uma prática única: envolve combinações de estudo de tradições, uso de plantas medicinais, leitura de oráculos e rituais voltados ao cuidado emocional. Elas afirmam que essas práticas convivem com profissões, famílias e rotinas comuns, reforçando que espiritualidade não apaga a vida cotidiana. A terapeuta observou que suas atividades terapêuticas muitas vezes se entrelaçam com saberes tradicionais, mas são também pautadas por ética profissional e busca pelo bem-estar do outro.
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Combate ao preconceito e à demonização
Morgana traça um paralelo entre a hostilidade dirigida às suas práticas e a estigmatização de religiões de matriz africana, destacando que a demonização de formas de fé diferentes revela dificuldade social em aceitar pluralidade espiritual. Para ela, catalogar como maligno tudo que foge de uma crença dominante alimenta medo e discriminação. As entrevistadas pedem mais diálogo e informação para desconstruir mitos e para que suas práticas sejam compreendidas no contexto cultural e histórico em que se inserem.
Acolhimento e caridade como prática central
Luzi e Morgana rejeitam a imagem de mulheres que desejam causar dano: “Muito pelo contrário: a gente trabalha com a caridade”, afirma Morgana, enquanto Luzi lembra que a magia, para ela, é sobretudo um exercício de transformação pelo afeto. Ambas descrevem atendimentos que combinam escuta, rituais simbólicos e orientações com ervas, sempre com foco no cuidado de pessoas em sofrimento. Essas ações, segundo elas, aproximam suas práticas das atividades de apoio comunitário e bem-estar que existem em outras tradições religiosas e terapêuticas.
Humanidade além da fantasia
As três mulheres pedem que o público saiba reconhecê-las como pessoas com dúvidas, trabalhos e vínculos afetivos, não apenas como personagens de fantasia do Halloween. A lembrança de Luzi — “Magia é a arte do amor que tudo transforma” — funciona como síntese do discurso: a espiritualidade faz parte de suas vidas, mas não a define por completo. Ao situarem suas práticas em um contexto de cuidado e diversidade, elas buscam reduzir o estigma e ampliar a compreensão sobre tradições ligadas à natureza e a matrizes africanas.
As declarações foram registradas em 31 de outubro de 2026, data em que as três capixabas compartilharam suas trajetórias e apontamentos sobre como ser mulher e praticante de espiritualidades alternativas no Espírito Santo.
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