
O grupo financeiro Apex informou à Justiça que mantém R$ 309,8 milhões classificados como “obrigações de cashback” vinculadas a aproximadamente 1.600 clientes. Esse montante integra o passivo total de R$ 985,6 milhões declarado pelas empresas do grupo na ação de tutela cautelar apresentada na Justiça do Espírito Santo na última sexta-feira (7), após a exposição pública da crise no dia 6.
No contexto da Apex, o termo “cashback” não se refere ao reembolso comum no varejo, mas a compromissos financeiros assumidos junto a investidores em operações estruturadas. São valores atrelados a diversos produtos financeiros criados pelo grupo e que, conforme a documentação judicial, podem contemplar fundos alimentadores, fundos imobiliários, crédito privado e debêntures.
Entre os veículos citados estão BRM Carbyne Voyage FIA, Carbyne Mercados Privados Feeder, Apex Cresc. Mercados Regionais Feeder, Apex Malls FII, Carbyne Crédito Privado e a Debênture NewSun WTE. Relatos de mercado e análises apontam desvalorização em alguns desses fundos, segundo o colunista Abdo Filho.
Outro elemento que chamou atenção da nova administração foi o atraso numa operação com o Grupo Gazin. Havia um cronograma de reembolso dividido em dez parcelas mensais; a primeira, no valor de R$ 7,9 milhões, com vencimento em julho de 2026, não foi paga. Esse episódio foi interpretado pela direção como sinal de deterioração da liquidez e da capacidade de honrar compromissos.
Além do montante relevante, a preocupação jurídica destaca-se pelo risco de uma demanda concentrada: a Apex argumentou em juízo que a divulgação de inadimplência poderia desencadear uma corrida por resgates entre as cerca de 1.600 posições. Se uma parcela significativa dos R$ 309,8 milhões for exigida num curto período, a pressão sobre o caixa poderia se intensificar e agravar a crise.
Algumas das operações documentadas ofereciam remunerações elevadas aos clientes — a petição menciona até 125% do CDI líquido em determinados casos —, o que pode amplificar a urgência por liquidez em cenários de perda de confiança.
Por isso, a tutela cautelar solicitada pela empresa busca impedir ou suspender medidas de cobrança e execução enquanto a administração organiza a situação financeira e avalia a viabilidade de um processo de recuperação judicial. A medida visa ganhar tempo para mapear passivos, ativos e possíveis soluções.
Especialistas ressaltam que é preciso analisar contrato a contrato para determinar quanto dos R$ 309,8 milhões está efetivamente vencido, quanto permanece dentro dos prazos contratuais e quanto poderia ser cobrado de forma antecipada. Só assim será possível dimensionar o risco real de uma corrida por resgates e a necessidade imediata de caixa.
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