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Abertura de empresas no Espírito Santo bate recordes, mas sobrevivência preocupa

Negócios & Oportunidades Vila Velha

A abertura de empresas no Espírito Santo segue em ritmo acelerado, revelando um ambiente de empreendedorismo aquecido no Estado. Dados da Junta Comercial do Estado do Espírito Santo (Jucees) mostram que 24.020 novas empresas foram registradas em 2024, número 17,69% superior ao registrado no ano anterior. O levantamento considera as constituições realizadas na Junta Comercial e não inclui os Microempreendedores Individuais (MEIs).

O movimento continuou forte em 2025. Até julho daquele ano, 16.285 empresas haviam sido registradas no Estado, enquanto fevereiro apresentou crescimento de 50,9% e alcançou, segundo os dados apresentados, o melhor desempenho da série histórica até então.

Os números ajudam a dimensionar a força do empreendedorismo capixaba, mas também levantam uma questão que vai além da quantidade de CNPJs criados: quantos desses negócios conseguem permanecer no mercado depois dos primeiros anos?

É justamente nesse ponto que o especialista em vendas Weslei Mourão, fundador e CEO da Sales Evolution, concentra sua avaliação. Para ele, o crescimento no número de empresas abertas precisa ser acompanhado por uma discussão sobre gestão, vendas e capacidade de geração de receita.

“Estamos celebrando certidões de nascimento sem olhar os atestados de óbito”, afirma Mourão.

Abertura de empresas no Espírito Santo aumenta, mas vendas continuam sendo desafio

A facilidade para formalizar um negócio representa um avanço para quem pretende empreender. A própria Jucees destaca a evolução dos processos digitais e da automação. Em 2024, por exemplo, 13.070 empresas foram abertas em até um minuto, o equivalente a cerca de 60% das constituições registradas naquele ano.

Mas a rapidez na formalização não significa que o negócio esteja preparado para competir.

Na avaliação de Mourão, uma parcela dos empreendedores dedica grande atenção à estrutura física e operacional da empresa — como equipamentos, estoque, fachada e localização — enquanto o processo comercial acaba ficando em segundo plano.

Nesse cenário, o proprietário pode se tornar o principal responsável por praticamente todas as vendas, sem uma rotina estruturada de prospecção, acompanhamento de oportunidades, definição de metas e análise dos resultados.

“O capixaba aprendeu a abrir CNPJ. Ninguém ensinou a vender”, afirma o especialista.

O alerta encontra paralelo em levantamentos do Sebrae sobre sobrevivência empresarial. Estudo divulgado pela instituição aponta que planejamento deficiente, dificuldades de gestão, menor acesso à capacitação e pouco preparo estão entre fatores relacionados ao encerramento de negócios.

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Gestão e processo comercial podem definir a sobrevivência

A preocupação não está apenas em vender mais, mas em transformar a atividade comercial em um processo organizado.

Segundo orientações do Sebrae, a gestão empresarial envolve planejamento, acompanhamento de desempenho e definição de indicadores capazes de mostrar se a empresa está avançando em direção às metas estabelecidas. Entre os indicadores estão vendas, produtividade, eficiência e lucratividade.

Na prática, isso significa que o empresário precisa saber de onde vêm seus clientes, quais produtos ou serviços apresentam melhor desempenho, quanto tempo leva para uma oportunidade se transformar em venda e quais estratégias precisam ser corrigidas.

A questão ganha importância especialmente para pequenos negócios, que costumam operar com equipes reduzidas e possuem menos margem para absorver períodos prolongados de baixa receita.

O próprio levantamento do Sebrae sobre sobrevivência empresarial mostra diferenças importantes entre os segmentos. Na análise divulgada pela instituição, o comércio apresentou uma das maiores taxas de mortalidade entre os pequenos negócios, com 30,2% das empresas fechando após cinco anos.

Vila Velha recebe treinamento sobre vendas

É nesse contexto que Vila Velha receberá o Sales Day, treinamento gratuito voltado para empresários, gestores e profissionais da área comercial.

O encontro está marcado para 22 de agosto de 2026, das 9h às 12h, no Auditório do Titanic, na Praça Duque de Caxias. O credenciamento começa às 8h30.

De acordo com as informações divulgadas pela organização, serão três horas de conteúdo sobre processos comerciais, atendimento, fechamento e previsibilidade de receita. O evento é realizado pela Sales Evolution e faz parte de um circuito que também terá atividades na Serra e em Guarapari.

A discussão sobre vendas ocorre em um momento de expansão do ambiente empresarial capixaba. A Jucees mantém uma área pública com estatísticas e dados sobre registros empresariais, permitindo acompanhar a evolução do ambiente de negócios no Estado.

Para quem está começando uma empresa, portanto, o desafio não termina quando o CNPJ é aprovado. A formalização representa o início de uma trajetória que envolve custos, clientes, concorrência, gestão e capacidade de adaptação.

Serviço

Evento: Sales Day – treinamento gratuito de vendas
Data: 22 de agosto de 2026
Horário: 9h às 12h
Credenciamento: 8h30
Local: Auditório do Titanic, Praça Duque de Caxias, Vila Velha
Inscrições: Sales Day – inscrições
Realização: Sales Evolution

Para consultar dados oficiais sobre registros empresariais, a Jucees mantém sua área de informações mercantis, enquanto o Sebrae reúne conteúdos sobre gestão e sobrevivência empresarial.

Mais do que acompanhar quantas empresas nascem, entender quantas conseguem se manter ativas ajuda a revelar a dimensão real do empreendedorismo no Espírito Santo. O Vitória em Dia continuará acompanhando os movimentos da economia capixaba, os desafios de quem empreende e os acontecimentos que impactam a vida de empresas e trabalhadores no Estado.