Edílson conta que invadia cozinha de time capixaba para matar a fome

Edílson conta que invadia cozinha de time capixaba para matar a fome

Futebol

Edílson, conhecido como Capetinha, afirmou que, no começo da carreira, entrou escondido na cozinha do Industrial, de Santa Maria de Jetibá, durante a madrugada para conseguir comida; o episódio ocorreu nos anos iniciais de sua trajetória no futebol capixaba, quando o clube vivia dificuldades financeiras e dependia da ajuda de comerciantes locais.

Rotina de dificuldades em Santa Maria de Jetibá

Em entrevista ao podcast apresentado por Aloísio Chulapa, o ex-atacante descreveu a precariedade que marcou aquele período: o time sobrevivia com doações do comércio e um pequeno repasse da prefeitura, enquanto os jogadores moravam amontoados em uma única casa.

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Segundo Edílson, a equipe recebia alimentação em horários fixos — café da manhã, almoço e jantar —, mas a falta de recursos tornava inevitável que a fome retornasse nas horas noturnas. A necessidade levou o jogador a buscar alternativas para saciar a fome fora desses horários.

A manobra na cozinha e a surpresa do cozinheiro

Por ser o mais baixo e magro do grupo, Edílson contou que conseguia passar por uma pequena fresta e entrar na cozinha sem chamar a atenção. Lá, pegava biscoitos, pães e outros mantimentos para distribuir entre os colegas.

O gesto, relatou o ex-jogador, começou como uma solução improvisada para um problema real, mas gerou consequência no dia seguinte, quando os alimentos sumiam da despensa e a equipe precisava explicar as faltas ao responsável pela cozinha.

Contexto da ajuda local e vida coletiva

Edílson enfatizou que a sobrevivência do Industrial era resultado de um esforço comunitário: feirantes, proprietários de mercado e moradores colaboravam para que o time pudesse treinar e disputar partidas. Mesmo assim, a remuneração era modesta e insuficiente para garantir conforto aos atletas.

O relato também traz a imagem de um alojamento precário, com dez pessoas dividindo um único quarto, cenário que ajuda a entender por que soluções improvisadas se tornaram rotina entre os jogadores.

Memória e tom bem-humorado

Ao relembrar o episódio no podcast, Edílson adotou um tom bem-humorado ao contar as peripécias da juventude. Apesar das dificuldades, essas experiências fazem parte da trajetória que o levou a títulos por Palmeiras, Corinthians e convocações para a seleção brasileira.

O depoimento serve para ilustrar como a formação de grande parte dos futebolistas brasileiros envolve dificuldades financeiras e apoio comunitário, além de destacar a resiliência pessoal necessária para superar esses obstáculos.