Cinco medidas essenciais para prevenir a contaminação cruzada na cozinha

Cinco medidas essenciais para prevenir a contaminação cruzada na cozinha

Gastronomia & Lazer

Manter a cozinha visivelmente limpa não garante que os alimentos estejam seguros. Durante o preparo, superfícies, utensílios, panos e até as mãos podem transferir microrganismos de alimentos crus para produtos prontos para consumo, elevando o risco de doenças alimentares. Pequenas mudanças na rotina reduzem significativamente essa possibilidade.

1. Separe utensílios para alimentos crus e prontos

Facas, tábuas e colheres usadas para carnes cruas não devem ser reaproveitadas em preparações que não serão cozidas sem limpeza prévia. Idealmente, utilize tábuas distintas para carnes, legumes e alimentos prontos. Caso isso não seja possível, lave bem o utensílio com água e detergente antes do uso seguinte. Tábuas muito riscadas merecem substituição, pois ranhuras acumulam resíduos e microrganismos.

Ricardo Oliveira, CEO e diretor comercial da VEM, alerta que a contaminação pode ocorrer mesmo sem sinais visíveis de sujeira, porque bactérias, vírus e fungos podem ser transferidos invisivelmente entre superfícies e alimentos.

2. Armazene corretamente na geladeira

Organizar os itens na geladeira ajuda a evitar que líquidos de alimentos crus contaminem outros produtos. Coloque carnes, aves e peixes crus nas prateleiras inferiores, sempre em recipientes fechados ou tampados, e mantenha alimentos prontos nas prateleiras superiores. Recipientes com vedação, como tampas com anel de silicone, reduzem o contato com o ar e o risco de vazamentos.

3. Lave as mãos nos momentos certos

A higienização das mãos é essencial antes e durante o preparo. Após manipular carnes cruas, ovos, embalagens ou o lixo, lave as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos, esfregando entre os dedos, sob as unhas e as costas das mãos. Mesmo com utensílios limpos, mãos contaminadas podem transferir microrganismos para alimentos prontos.

4. Cuide de panos, esponjas e bancadas

Panos de prato, esponjas e superfícies de trabalho acumulam microrganismos, sobretudo quando permanecem úmidos. Use panos separados para secar as mãos, limpar bancadas e secar louça, e lave-os com frequência. Substitua esponjas regularmente e higienize-as conforme o material. Bancadas e pias devem ser limpas após contato com alimentos crus e, quando indicado, desinfetadas com produtos apropriados.

5. Não reutilize utensílios sem higienização

Colheres, espátulas e pincéis que tocaram alimentos crus não devem voltar a entrar em contato com preparações prontas sem antes serem lavados. Evite provar comida com o mesmo utensílio usado para mexer a panela; use uma colher limpa a cada prova. Uma regra prática: tudo que teve contato com alimento cru deve ser tratado como potencialmente contaminado até ser devidamente higienizado.

Limpeza vs. higienização

É importante diferenciar limpar e higienizar. Limpar remove sujeira visível, resíduos e gordura; higienizar envolve reduzir ou eliminar microrganismos, normalmente com um produto específico e seguindo instruções de uso. Superfícies com boa aparência podem ainda abrigar microrganismos, por isso, quando indicado, combine limpeza e posterior higienização.

Itens que costumam ser esquecidos na rotina doméstica — como a troca de esponjas, a lavagem frequente de panos e a substituição de tábuas muito riscadas — são sinais de que hábitos na cozinha precisam ser revistos. Para Ricardo Oliveira, segurança alimentar deve integrar a organização diária: “Separar cru do pronto, cuidar das mãos, dos utensílios, das superfícies e do armazenamento são medidas simples que, transformadas em rotina, aumentam muito a segurança dos alimentos.”

Por Gabriela Andrade

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via A Gazeta – Gastronomia