Um grupo de credores minoritários que aplicou recursos em estruturas ligadas à Apex apresentou, na última segunda-feira (17), uma petição à Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória para ampliar o acesso a informações sobre seus investimentos. O documento, assinado por 25 investidores, aponta pelo menos R$ 60 milhões em risco médio e estima um valor aproximado de resgate de, no mínimo, R$ 15 milhões.
Entre os articuladores da mobilização está Solano Madeira, que afirma ter sido motivado pela escassez de informações confiáveis após a crise. Segundo ele, muitos dos envolvidos aplicaram poupanças acumuladas ao longo da vida — inclusive recursos destinados à aposentadoria — e agora enfrentam dificuldade para obter esclarecimentos junto às empresas responsáveis.
Os signatários declaram exposição a diferentes produtos e estruturas relacionadas à Apex, Rhino Securitizadora e Carbyne, incluindo titulares de debêntures, cotistas de fundos e investidores com posições múltiplas. Na petição, o grupo ressalta que seu objetivo inicial não é pedir pagamento de valores, antecipar vencimentos ou discutir a natureza dos créditos, mas acompanhar as decisões tomadas durante o período de proteção judicial e receber informações sobre atos que possam afetar os recursos aplicados.
Como medidas concretas, os investidores pedem ao Judiciário:
- a nomeação temporária de um monitor judicial independente com função de observação, fiscalização e prestação de informações econômico‑financeiras e patrimoniais (sem poderes de gestão ou veto);
- a comunicação ao monitor de operações individuais de valor igual ou superior a R$ 1 milhão;
- o acompanhamento de operações com partes relacionadas, transferências entre empresas do grupo e pagamentos extraordinários que atendam aos critérios indicados na petição;
- a criação de uma Comissão Provisória de Acompanhamento de Investidores e Credores, formada inicialmente por cinco integrantes (com caráter meramente informacional, sem poder deliberativo, de voto ou veto);
- a preservação integral de documentos e registros relacionados a decisões financeiras e patrimoniais, incluindo e‑mails corporativos, atas, contratos, documentos de avaliação, registros de aprovação e movimentações financeiras.
O texto submete à análise do juízo a indicação de nomes para compor a comissão — Solano é um dos propostos — e detalha que o monitor atuaria apenas como canal de acompanhamento e interlocução entre investidores, administração das empresas e, se necessário, o próprio juízo.
Além dessa petição, advogados de outros investidores já iniciaram ações na Justiça estadual para obter informações sobre aplicações destinadas a empreendimentos imobiliários. Em alguns processos, reclamantes solicitaram que as empresas esclareçam se os recursos aportados foram efetivamente direcionados às Sociedades de Propósito Específico (SPEs) ou às construtoras responsáveis pelos projetos; as decisões judiciais exigiram apresentação de informações, sem concluir, até o momento, pela ocorrência de desvio de verbas.
Procuradas para esclarecer os pontos apontados pelos credores — como eventual suspensão de pagamentos ou resgates, garantias das operações e medidas de comunicação aos investidores — as empresas Apex e Rhino ainda não haviam se manifestado até a publicação desta reportagem.
Os organizadores afirmam que a mobilização continuará e que a intenção é agregar o maior número possível de credores minoritários para assegurar voz em eventuais desdobramentos, como uma futura recuperação judicial das companhias envolvidas.
Leia também: Bélgica e México lideram destinos do café conilon do Espírito Santo em julho; exportações sobem 79%


