Vale intensifica produção de briquete no Espírito Santo como estratégia de descarbonização

Vale intensifica produção de briquete no Espírito Santo como estratégia de descarbonização

Economia

Durante o fórum “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, realizado na terça-feira (18) em Brasília, o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, reafirmou que reduzir as emissões na cadeia siderúrgica é uma prioridade estratégica da empresa.

Pimenta disse que a empresa avança no ramp‑up das plantas de briquete instaladas na unidade de Tubarão, em Vitória (Espírito Santo) — as primeiras dessa natureza na companhia — sem, no entanto, detalhar volumes de produção. O briquete complementa a produção de pelotas e é destinado, em termos gerais, ao uso em alto‑forno.

O executivo ressaltou que o briquete pode reduzir em até 10% as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em alto‑forno e aponta caminho para, no futuro, produzir aço de emissão zero quando estiver disponível hidrogênio verde em escala. A empresa também estuda desenvolver HBI (Hot Briquetted Iron) no Brasil usando fontes renováveis de hidrogênio, o que permitiria exportar um produto metálico com maior valor agregado.

Segundo a Vale, a planta de briquete passou por um processo de aprimoramento contínuo nos últimos dois anos, com melhorias no controle da umidade na etapa de secagem, aumento da impermeabilidade do produto, evolução no design das briquetadeiras e ganhos consistentes na qualidade final.

Estudo sobre minerais e projeções até 2035

No mesmo evento foi apresentado um estudo elaborado pela Vale em parceria com a consultoria Accenture que mapeia oportunidades para o setor mineral brasileiro até 2035. O trabalho destaca o aumento da demanda global por minerais críticos como cobre, lítio, grafita e níquel, impulsionado pela transição energética e pela digitalização.

O relatório projeta que o Brasil pode alcançar uma arrecadação fiscal de R$ 1,3 trilhão na próxima década (2026–2035), ante R$ 750 bilhões no ciclo anterior. O documento será encaminhado a candidatos à Presidência como subsídio para formulação de políticas públicas que aumentem a atratividade de novos projetos minerários no país.

Entre as premissas do estudo estão projeções de mercado: estimativa de que até 2030 cerca de 40% das vendas globais de automóveis serão de modelos elétricos, elevando a demanda por cobre e lítio; e a previsão de que o consumo de energia por centros de dados deve dobrar até 2030, exigindo mais infraestrutura mineral. O levantamento também aponta que o Brasil detém cerca de 67% das reservas mundiais de nióbio e aproximadamente 25% das reservas de terras raras e grafita.

Impactos socioeconômicos e demandas por políticas

O estudo indica que o “destravamento” das oportunidades do setor mineral poderia ampliar o quadro de empregos diretos e indiretos de 3 milhões para 5,3 milhões. O ganho fiscal projetado de R$ 1,3 trilhão seria equivalente ao investimento necessário para criar 23,1 milhões de vagas em escolas de tempo integral ou para construir 870 mil leitos hospitalares, segundo o relatório.

Gustavo Pimenta afirmou que a mineração brasileira pode ser um motor de crescimento econômico e inclusão social, desde que acompanhada por uma agenda propositiva que compartilhe valor com comunidades e territórios. A companhia também sinalizou que a entrada em mercados de terras raras e outros minerais críticos permanece em análise.

Representando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o presidente Aloizio Mercadante ressaltou a importância de reforçar pontes estratégicas entre setor público e privado. Ele disse que o banco vive um momento de expansão de crédito e apoio à neoindustrialização, defendendo que o Brasil deve ir além da exportação de minério bruto e buscar a indústria local de baterias e células de energia.

Entre as condições necessárias apontadas pelo setor estão maior celeridade nos licenciamentos ambientais e uma política nacional voltada a minerais estratégicos, além de investimentos em infraestrutura, energia e tecnologia para consolidar uma cadeia mineral integrada.

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via A Gazeta – Economia