Sete integrantes da Polícia Militar foram denunciados e tornaram-se réus por supostas irregularidades na ação ocorrida em 8 de abril, no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, que resultou nas mortes de Francisca Chaguiana Dias Viana, 31 anos, e Daniele Toneto Rocha, 45 anos.
A denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) foi recebida pela Justiça Militar em 27 de agosto de 2026. Os sete policiais são acusados de inobservância de lei, regulamento ou instrução — conduta que, segundo a promotoria, configura o militar, no exercício da função, deixar de cumprir normas que regulam sua atuação e provocar prejuízo à Administração Militar. Dois deles respondem ainda por abandono de posto.
- Hildebrando da Silva Santos
- Edson Luiz da Silva Verona
- Felipe Gonçalves Vieira
- Lucas Nogueira Oliveira
- Valfril do Carmo Carreiro
- Hilário Antônio Nunes Loureiro Júnior (also acusado por abandono de posto)
- Eduardo Ferro Coradini (also acusado por abandono de posto)
De acordo com o MPES, a apuração da responsabilidade pelos homicídios tramita de forma independente. O processo que envolve os sete militares seguirá com a citação dos acusados e a apresentação de suas defesas.
Segundo a Corregedoria da Polícia Militar, os sete foram afastados das atividades operacionais desde 16 de julho e passaram a exercer funções administrativas durante as investigações. A corregedoria informou que apura os fatos de acordo com os procedimentos legais, respeitando direitos das partes e garantindo a lisura das apurações.
Situação do policial apontado como autor dos disparos
O cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, apontado como autor dos tiros que mataram Francisca e Daniele, já é réu em processo separado. O caso foi remetido ao Tribunal do Júri da Comarca de Cariacica; não há data definida para julgamento. O policial está detido no Presídio Militar desde abril de 2026.
Relembre os fatos
Segundo relatos colhidos durante a investigação, o cabo Luiz Gustavo se deslocou ao edifício onde moravam as vítimas após ser avisado sobre uma discussão envolvendo sua ex-mulher e as duas mulheres. O conflito teria origem em desentendimentos sobre o uso de um aparelho de ar‑condicionado e o compartilhamento do padrão de energia do prédio, situação que teria gerado atritos prévios entre as moradoras.
Testemunhos e imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que as duas mulheres foram atingidas por disparos após a chegada do policial acompanhado de colegas. A ex-mulher do cabo confirmou, em depoimento, que havia ligado para ele relatando ofensas proferidas contra o filho do casal.
As investigações continuam em âmbito militar e judicial, com a separação das apurações sobre condutas disciplinares e a investigação penal por homicídio.
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