Met e John Galliano cancelam exposição 'John Galliano: Horizons' após polêmica por antissemitismo

Met e John Galliano cancelam exposição ‘John Galliano: Horizons’ após polêmica por antissemitismo

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O Metropolitan Museum of Art, em Nova York, e o estilista John Galliano anunciaram na segunda‑feira (31) a desistência da exposição intitulada “John Galliano: Horizons”. A decisão foi tomada em conjunto, segundo comunicado, após reflexão sobre a controvérsia gerada por homenagear um profissional condenado por declarações antissemitas em 2011.

O diretor‑executivo do museu, Max Hollein, afirmou que o cancelamento ocorreu depois de avaliação compartilhada com Galliano. No mesmo comunicado, o estilista agradeceu ao Met, a Hollein, ao curador Andrew Bolton e à diretora editorial da Vogue, Anna Wintour, pela oportunidade de ter seu trabalho considerado para uma mostra individual.

Galliano disse ter concluído, “com grande tristeza”, que não era apropriado realizar a exposição neste momento. Ele reconheceu a responsabilidade pela dor causada pelos comentários do passado, mencionando especificamente as comunidades judaica e asiática, e destacou que a reparação não se limita a uma exposição ou a um ato público isolado. O estilista também afirmou não desejar que o debate em torno de sua figura coloque o museu “em uma posição difícil” ou tire o foco do trabalho do Costume Institute. Em nota, agradeceu o apoio recebido durante 15 anos de sobriedade e recuperação da dependência de álcool e drogas.

O curador Andrew Bolton declarou acreditar que os museus têm a responsabilidade de abordar histórias delicadas “com rigor, transparência e cuidado” e apoiou a decisão de não prosseguir com a mostra. Anna Wintour, membro do conselho do Met, classificou a atitude de Galliano como corajosa e afirmou que dá “total apoio” tanto a ele quanto à instituição.

Nos dias anteriores ao anúncio, aumentou a pressão de doadores e figuras políticas contrárias à homenagem. Entre os críticos estiveram o colecionador Arne Glimcher, que ameaçou retirar o museu de seu testamento, a presidente da Câmara Municipal de Nova York, Julie Menin, e Elisha Wiesel, presidente da fundação que leva o nome de Elie Wiesel. A doadora Alice Tisch enviou uma carta ao diretor do Met chamando o projeto de “lavagem de imagem” e criticando a governança do museu.

Representantes da administração municipal e o vereador Zohran Mamdani também se manifestaram. O porta‑voz Sam Raskin qualificou os comentários antissemitas de Galliano como “vis” e reconheceu a “dor e a raiva” causadas pela escolha do museu, ao mesmo tempo em que ressaltou a independência institucional do Met para tomar decisões.

A mostra teria feito de Galliano o terceiro estilista vivo a receber uma exposição individual no Met, após Yves Saint Laurent (1983) e Rei Kawakubo (2017). Galliano foi demitido como diretor criativo da Dior em 2011, após a divulgação de um vídeo em que proferiu declarações antissemitas, incluindo uma referência de admiração a Hitler; ele foi posteriormente condenado por injúria pública com base em origem racial, religiosa ou étnica em tribunal de Paris. Depois do episódio, passou por reabilitação e retornou à moda como diretor criativo da Maison Margiela, em 2014.

Ao longo do último ano, o Met, Anna Wintour e o próprio Galliano se reuniram com rabinos e líderes judaicos de Nova York para discutir a reação possível à exposição. Um dos encontros ocorreu em maio com a participação do rabino Rick Jacobs, presidente da União para o Judaísmo Reformista na América do Norte, que descreveu Galliano como “sincero” durante a conversa. Jonathan Greenblatt, CEO da Liga Antidifamação (ADL), também chegou a afirmar que o estilista trabalhou genuinamente as questões relacionadas ao episódio e que a entidade já havia aceitado suas desculpas.

Em documentário lançado em 2024, Galliano afirmou que estava embriagado e sob efeito de drogas durante o incidente de 2011 e em outras ocasiões em que fez comentários semelhantes. Ele relatou ter buscado orientação de um rabino em Londres e de representantes da ADL em Nova York para aprofundar a compreensão sobre antissemitismo e o Holocausto.

O Met informou ainda que divulgará posteriormente detalhes sobre a nova exposição do Costume Institute e o tema do Met Gala de 2027.

Legenda da imagem: Cena do documentário “High & Low – John Galliano”, de Kevin Macdonald. Crédito: Reprodução KGB Films e a Condé Nast Entertainment.

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via A Gazeta – Cultura