Mantenópolis, município do Noroeste do Espírito Santo, terá rodízio no abastecimento de água após a Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan) comunicar a redução do volume do Córrego Manteninha, que compromete a captação e o tratamento. A medida, divulgada em 14 de outubro de 2026, divide a cidade em dois setores que receberão água em dias alternados, das 7h às 19h, para equilibrar a disponibilidade. O corte temporário é atribuído aos efeitos previstos do fenômeno conhecido como Super El Niño sobre os padrões pluviométricos.
Como funcionará o rodízio e objetivo da medida
Segundo a Cesan, a estratégia de dividir Mantenópolis em dois setores visa manter o fornecimento mínimo para toda a população, evitando que áreas específicas fiquem sem água por períodos prolongados. Cada setor terá abastecimento em dias alternados no período das 7h às 19h, enquanto durarem as limitações de captação no ponto de abastecimento principal.
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Autoridades da companhia afirmam que o esquema é provisório e será reavaliado conforme a recuperação do nível do córrego e a normalização das condições hidrológicas. A redução do volume de água no Córrego Manteninha é o fator operacional imediato que levou à implementação da medida.
Super El Niño: o que muda no clima e no abastecimento
O El Niño é um fenômeno climático ligado ao aquecimento anômalo da superfície do Oceano Pacífico Equatorial e altera padrões atmosféricos, influenciando chuvas e temperaturas em diversas regiões. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alerta que episódios de maior intensidade, comumente chamados de “Super El Niño” no discurso público, podem causar secas em algumas áreas e excesso de chuva em outras, afetando recursos hídricos e infraestrutura.
Especialistas ressaltam que a expressão “Super El Niño” não é uma classificação científica formal, mas reflete episódios de maior impacto, que exigem medidas de adaptação por parte de serviços essenciais, como o abastecimento de água.
Relatos de moradores e alternativas de consumo
Moradores de Mantenópolis ouvidos relataram que a falta de água é recorrente e que o problema se agravou desde o ano anterior. Uma moradora, que preferiu não se identificar, disse que as regiões mais altas da cidade têm sido as mais afetadas e que, em uma semana recente, alguns lares chegaram a ficar cerca de cinco dias sem água.
Algumas famílias recorreram a poços como alternativa de abastecimento, mas há dúvidas sobre a qualidade dessa água. A mesma moradora descreveu a água de poço como amarga; não há, porém, registros públicos de análises técnicas que confirmem a potabilidade ou a necessidade de tratamento adicional.
Próximos passos e recomendações
A Cesan informou que monitorará diariamente o nível do Córrego Manteninha e a capacidade de captação, com a possibilidade de ajustar o rodízio conforme a evolução hídrica. Aos moradores, a companhia recomenda medidas de economia doméstica, como reduzir desperdício em torneiras e reservatórios, e utilizar água de fontes alternativas somente se houver comprovação de segurança para consumo.
Autoridades municipais e estaduais foram notificadas sobre a situação e devem acompanhar o cenário para ações complementares, caso o quadro de insuficiência de água persista.
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