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Tensão no Plenário: Vereadores do PL Quase se Agridem na Câmara de Vila Velha

Política Local Vila Velha

Na manhã de quarta-feira, 22 de abril de 2026, o plenário da Câmara Municipal de Vila Velha transformou-se em um verdadeiro campo de batalha verbal. Dois vereadores do Partido Liberal (PL), Pastor Fabiano e Devacir Rabello, protagonizaram uma discussão acalorada que quase terminou em agressão física. O presidente da sessão, Hércules Silveira, foi obrigado a suspender imediatamente os trabalhos diante do caos instalado. Assessores parlamentares, seguranças e outros vereadores precisaram intervir com urgência para separar os colegas de partido, em um episódio que expôs de forma dramática as profundas divisões internas que vêm abalando o PL na segunda maior cidade do Espírito Santo.

O início do conflito: disputa pela sucessão da Mesa Diretora

O embate teve origem durante o debate sobre a eleição da nova Mesa Diretora da Câmara, prevista para ocorrer nas próximas semanas. A sucessão dos cargos de presidente, vice-presidente e secretários da Casa sempre gera expectativa e negociações intensas entre os 21 vereadores. No entanto, desta vez o clima ficou especialmente carregado porque muitos parlamentares suspeitam de uma possível influência do prefeito Arnaldinho Borgo sobre o processo. O chefe do Executivo municipal, que busca fortalecer sua base de apoio para aprovar projetos estratégicos no segundo semestre, seria favorável a uma composição que garantisse maior alinhamento com a gestão.

Pastor Fabiano, conhecido por sua atuação firme em pautas conservadoras e religiosas, posicionou-se de maneira categórica contra qualquer interferência externa. Ele defendeu com veemência a autonomia plena do Poder Legislativo, argumentando que os vereadores devem escolher livremente seus dirigentes sem sofrer pressões do Executivo. “A eleição será conduzida da forma que esta Casa determinar. Aqui dentro somos livres e independentes”, afirmou o parlamentar durante sua fala, segundo relatos de testemunhas presentes nas galerias. Sua postura foi aplaudida por alguns colegas e repercutiu positivamente entre eleitores que valorizam a separação entre os poderes.

Do lado oposto, Devacir Rabello adotou uma linha mais pragmática. Ele sustentou que a decisão deveria surgir de um amplo acordo entre os pares, respeitando as orientações da legenda. Para Rabello, manter a unidade partidária seria essencial para que o PL conseguisse exercer influência real nas votações futuras. A divergência de visões entre os dois vereadores transformou o que deveria ser um debate técnico em um confronto aberto de ideias e egos, com o tom de voz subindo a cada réplica.

A escalada: menção ao presidente municipal do PL e ao senador Magno Malta

A temperatura do plenário subiu vários graus quando o nome de Carlos Salvador, presidente municipal do PL em Vila Velha, entrou na discussão. Devacir Rabello declarou publicamente que seguia as orientações de Salvador e ressaltou o respeito que a sigla deve ter por suas lideranças locais. Segundo ele, o partido só seria forte se todos os filiados caminhassem na mesma direção, evitando posições individualistas que pudessem enfraquecer o conjunto.

A reação de Pastor Fabiano foi imediata e cortante. O vereador contestou frontalmente a autoridade de Salvador, afirmando que não se sentia obrigado a seguir suas determinações. Em vez disso, declarou lealdade exclusiva ao senador Magno Malta, uma das principais lideranças do PL em âmbito estadual e nacional, conhecido por sua forte presença entre os eleitores evangélicos. Fabiano ponderou que não nutria qualquer animosidade pessoal contra Carlos Salvador, mas que o episódio revelava uma divisão interna clara dentro do partido em Vila Velha. A fala deixou muitos presentes surpresos e transformou o debate em um verdadeiro campo minado político.

Observadores da sessão relataram que, a partir daquele momento, o ambiente ficou irrespirável. Outros vereadores de partidos como PSD, PT e MDB tentaram, sem sucesso, mediar a conversa e trazer o foco de volta para os aspectos regimentais da eleição da Mesa. A tensão era visível no rosto de todos os presentes, inclusive dos funcionários da Casa e dos poucos munícipes que acompanhavam a sessão das galerias.

Os ataques pessoais: a cassação de mandato e a troca de xingamentos

O ponto de não retorno aconteceu quando Pastor Fabiano decidiu trazer à tona um episódio delicado da trajetória política de Devacir Rabello. O parlamentar relembrou a cassação do mandato de Rabello na legislatura anterior, ocorrida por suposta fraude na cota de gênero durante o registro da chapa proporcional. Segundo Fabiano, o caso representava uma grave mancha na biografia do colega e questionava sua legitimidade para falar sobre disciplina e respeito às regras do partido. A menção foi recebida com evidente desconforto por Rabello, que até então tentava manter a compostura.

Devacir reagiu de forma explosiva. “O senhor está me chamando de criminoso?”, vociferou, levantando-se da cadeira. Os dois vereadores passaram a trocar acusações pesadas e xingamentos em alto e bom som. Expressões como “molecagem” e outras ofensas foram proferidas diante de todos, gerando um clima de constrangimento generalizado. O público presente nas galerias assistia perplexo, com muitos registrando o momento com celulares. A cena durou pouco mais de dois minutos, mas foi suficiente para marcar negativamente a imagem da Câmara.

Especialistas em direito eleitoral explicam que a cassação de Devacir Rabello ocorreu após o Tribunal Regional Eleitoral identificar irregularidades na comprovação de candidaturas femininas na chapa do PL na eleição de 2020. Rabello sempre negou as acusações e recorreu da decisão, mas o episódio permanece vivo na memória política de Vila Velha e agora foi usado como munição em uma discussão pública.

Intervenção da segurança, suspensão da sessão e repercussão imediata

Diante do risco iminente de agressão física, o presidente Hércules Silveira bateu o martelo repetidas vezes e determinou a suspensão imediata da sessão. Assessores parlamentares, seguranças da Casa e vereadores de diferentes legendas cercaram os dois envolvidos para evitar que o confronto passasse das palavras para os fatos. Pastor Fabiano e Devacir Rabello foram conduzidos a salas separadas, enquanto a ordem era gradualmente restabelecida no plenário.

Minutos depois, vídeos do momento mais tenso já circulavam em grupos de WhatsApp e no Instagram. A repercussão nas redes sociais foi imediata e majoritariamente negativa. Moradores de Vila Velha expressaram indignação com o comportamento dos representantes eleitos, cobrando mais respeito ao cargo e foco em temas relevantes para a população, como saúde, educação, segurança pública e mobilidade urbana. Muitos usuários classificaram o episódio como “vergonhoso” e “inaceitável” para uma Casa Legislativa.

A sessão foi oficialmente suspensa por tempo indeterminado. A previsão é que os trabalhos sejam retomados apenas na próxima semana, após um período de esfriamento e possíveis reuniões de mediação interna no PL. Até o momento, nenhum dos dois vereadores se manifestou publicamente sobre o ocorrido, mas fontes próximas afirmam que ambos se sentem injustiçados e pretendem apresentar versões detalhadas do que aconteceu.

Implicações políticas: crise interna no PL e desafios para a Câmara

O episódio de ontem (22) não é um fato isolado. Ele reflete uma crise de liderança que vem se arrastando no PL de Vila Velha há meses. A disputa entre a base municipal, representada por Carlos Salvador, e a influência do senador Magno Malta cria um ambiente de dupla lealdade que dificulta a coesão do grupo. Com a eleição da Mesa Diretora se aproximando, o partido precisa urgentemente encontrar uma forma de unificar suas forças ou corre o risco de perder espaço político na cidade.

O prefeito Arnaldinho Borgo, embora ainda não tenha se pronunciado oficialmente sobre o caso, acompanha os desdobramentos com atenção. Uma Câmara dividida e enfraquecida pode complicar a aprovação de projetos importantes para a gestão, especialmente em um ano que antecede as eleições municipais de 2028. Analistas políticos locais avaliam que o incidente pode reforçar a imagem de independência de Pastor Fabiano entre os eleitores conservadores, mas ao mesmo tempo enfraquece a posição do PL como um todo perante a opinião pública.

Para evitar que episódios semelhantes voltem a ocorrer, alguns vereadores já discutem a possibilidade de propor um código de ética mais rigoroso ou a realização de sessões de mediação interna antes de votações polêmicas. Enquanto isso, a população de Vila Velha continua a cobrar dos seus representantes mais maturidade, diálogo e foco no interesse coletivo, em vez de disputas pessoais que só prejudicam a imagem da política.

Redação Portal Vitória em Dia

Fontes Consultadas