A gestora Apex Partners realizou a venda de aproximadamente 17 milhões de ações da CVC na quinta‑feira, 13 de agosto de 2026, em meio a dificuldades financeiras que afetam o grupo. Fontes indicam que grande parte das posições havia sido adquirida por meio de operações a termo e precisou ser liquidada após a impossibilidade de renovação dessas garantias.
Segundo apurações, um bloco de cerca de 9 milhões de ações foi negociado por volta das 16h do mesmo dia, e o fundo Absolute — já acionista da CVC e que vinha reduzindo sua exposição — adquiriu metade dessa parcela.
Com as transações, a participação conjunta dos fundos administrados pela Apex na CVC recuou de aproximadamente 15,5% para 7,97% do capital social.
Resultados da CVC e reação do mercado
O movimento ocorre logo após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026 da CVC, quando a companhia reportou prejuízo líquido ajustado de R$ 51,3 milhões, contra R$ 15,9 milhões no mesmo período de 2025. A receita líquida consolidada foi de R$ 319,5 milhões, queda de 6,5% em doze meses.
Na tarde de quinta, as ações da CVC chegaram a cair quase 9%, negociadas a R$ 1,23, e acumulam recuo de cerca de 40% no último ano.
Fundo BRM Carbyne Voyage e impacto sobre cotistas
A Apex havia iniciado a compra de papéis da CVC em 2023 por meio do fundo BRM Carbyne Voyage, que reúne mais de 500 cotistas e declara patrimônio de R$ 63,5 milhões. No ano, a cota do veículo registra desvalorização de 63,9%.
Possível violação de acordo com a família Paulus
Fontes consultadas informaram que a alienação das ações pode configurar descumprimento de uma cláusula de um acordo firmado em abril de 2026 entre fundos ligados à Apex e a família Paulus, fundadora da CVC. Caso seja confirmada a irregularidade, há risco de encerramento do entendimento que envolvia, em conjunto, cerca de 35% do capital da companhia.
A CVC afirmou que apenas terá acesso aos dados das negociações realizadas em 13 de agosto a partir de terça‑feira, 18 de agosto de 2026, salvo se os acionistas optarem por comunicar a empresa previamente.
Posicionamento da Apex Partners
A Apex confirmou ter reduzido a participação da carteira administrada pela Carbyne Investimentos e informou que a decisão seguiu a estratégia de gestão e alocação dos veículos. A gestora ressaltou que os fundos contam com administração fiduciária e custódia por instituições financeiras — entre elas BTG Pactual e Banco Daycoval — e que as operações foram realizadas em bolsa e comunicadas à companhia, em conformidade com a regulamentação.
No comunicado, a Apex acrescentou que os recursos resultantes das movimentações permanecem vinculados aos cotistas dos respectivos fundos e que, após as transações, os veículos continuam como acionistas, com participação combinada de aproximadamente 7,97% na CVC.
A companhia também informou ter aberto auditoria interna, constatado inconsistências financeiras e afastado, na semana anterior, Fernando Kulnig Cinelli do cargo de presidente. Segundo a nota, a contratação de auditoria independente está em fase final e poderão ser tomadas medidas judiciais contra o ex‑presidente.
Atualização
14/08/2026 às 14:36 — Após a publicação inicial, a Apex emitiu nota confirmando a operação e ajustando a participação remanescente dos fundos na CVC para 7,97% (correção de um valor preliminar divulgado anteriormente).
Resumo dos pontos-chave
- Venda total: ~17 milhões de ações da CVC (13/08/2026).
- Negociação em bloco: ~9 milhões de ações vendidas por volta das 16h; Absolute comprou metade.
- Participação dos fundos ligados à Apex caiu de ~15,5% para 7,97%.
- Possível violação de acordo com a família Paulus, assinado em abril de 2026.
- Resultados da CVC no 2º tri/2026: prejuízo ajustado de R$ 51,3 milhões; receita líquida R$ 319,5 milhões (-6,5% a/a).
Leia também: Apex: corrida por R$ 309,8 milhões em ‘cashbacks’ pode agravar crise e pressionar caixa


