Mensagens entre jogador do Vasco e suspeitos de tráfico auxiliaram investigação sobre tentativa de homicídio na Serra

Mensagens entre jogador do Vasco e suspeitos de tráfico auxiliaram investigação sobre tentativa de homicídio na Serra

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Uma tentativa de homicídio ocorrida em março de 2024 em Novo Porto Canoa, na Serra, motivou a Polícia Civil a aprofundar uma investigação que passou a incluir diálogos trocados entre o jogador David Corrêa, do Vasco, e investigados ligados ao crime. O conteúdo das mensagens constou como prova na apuração que resultou na operação “A Tropa”, deflagrada na segunda-feira (31).

Segundo o delegado Rodrigo Sandi Mori, chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, a vítima foi sequestrada no bairro Serra Dourada III e levada até Novo Porto Canoa. Ao desembarcarem do veículo, a vítima conseguiu fugir, aproveitando uma oportunidade.

A investigação apontou a participação de Ruan de Freitas Camargo Cruz, suspeito de ser proprietário do carro usado no crime e que estaria no banco do passageiro, e de Edson Vander da Silva Júnior, de 32 anos, apontado pela Polícia Civil como organizador da ação e responsável por determinar a execução.

Ruan e Edson foram detidos em 20 de agosto de 2024 em um apartamento no bairro Itaparica, em Vila Velha. Segundo a polícia, o imóvel pertencia a uma pessoa para quem Edson trabalhava; investigações indicaram que esse vínculo era com o jogador David Corrêa.

Conteúdo das conversas

A perícia nos dados extraídos do celular de Edson revelou mensagens que, conforme a polícia, indicam que ele e Ruan teriam assumido o controle do tráfico no bairro Serra Dourada III. Foram encontradas trocas de mensagens sobre armas, munições, compra de drogas, prestação de contas e divisão de tarefas dentro do grupo.

A apuração identificou três diálogos entre Edson e o jogador David Corrêa. Em um deles, Edson informou sobre a vítima da tentativa de homicídio e seu estado de saúde; o delegado relata que David respondeu: “Mereceu tomar uns tiros mesmo”. Em outra troca, Edson teria enviado foto de uma pistola e David teria reagido: “Tem que matar um para ver de qual é”.

Em um terceiro diálogo, Ruan pediu a Edson que intermediasse com David a negociação de um veículo. Em áudio enviado por Ruan a Edson e depois encaminhado a David, Ruan solicita empréstimo para trocar o carro — que, segundo os investigados, estaria “queimado” por ter sido usado na tentativa de homicídio. Essa conversa ocorreu três dias após o crime.

“Esses fatos chamaram a nossa atenção para um possível financiamento do tráfico de drogas do bairro Serra Dourada III pelo investigado”, afirmou o delegado Rodrigo Sandi Mori.

Diante das evidências iniciais, a Polícia Civil compartilhou a extração dos dados do celular de Edson com o Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat) para aprofundar a análise. Durante a operação “A Tropa” o celular de David foi apreendido. A autoridade policial informou que há outros diálogos sob segredo de Justiça que não podem ser divulgados.

Relação com a carreira do jogador e papel de Edson

Para a polícia, Edson atuava como agente de David, cuidando de aspectos financeiros e da carreira do atleta. Ao ser questionado sobre a função atribuída a Edson, o delegado declarou: “Controla a vida financeira, a carreira do investigado. E era um traficante também, posso afirmar com absoluta certeza diante das provas que temos nos autos”.

O inquérito também cita, em apurações sigilosas, a possível participação do lateral-direito Hayner William Monjardim Cordeiro, do Vila Nova (Goiás); a Polícia Civil disse que o caso permanece sob segredo e não detalhou essas informações. O delegado Augusto Giorno, do Ciat, ressaltou que os clubes de futebol não têm relação com as investigações e colaboraram com as apurações.

Os jogadores David e Hayner aparecem no curso do inquérito e foram alvos de mandados de busca e apreensão, mas o procedimento ainda não foi concluído.

Posicionamento das defesas

A defesa de Edson Vander da Silva Júnior informou por nota que não há provas técnicas, periciais ou documentais que o liguem à determinação ou execução da tentativa de homicídio. Segundo os advogados, a própria vítima, em depoimento, não apontou Edson como mandante ou executor e afirmou que ele não estava no local; relatos que o citam seriam de testemunhas indiretas.

Os defensores também questionaram a validade das provas digitais obtidas a partir dos celulares apreendidos, alegando falhas na cadeia de custódia, e informaram que já pediram à Justiça a nulidade desse material. A defesa afirmou ainda que não comentará detalhes da operação por tramitar sob segredo de Justiça e criticou a divulgação de informações pela investigação.

A reportagem tentou contato com as defesas de Ruan de Freitas Camargo Cruz e de David Corrêa; o espaço permanece aberto para manifestações.

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via A Gazeta – Polícia