Um Projeto de Lei em tramitação na Câmara dos Deputados pode revolucionar o setor de academias em todo o país, exigindo adaptações concretas para garantir inclusão de idosos e pessoas com deficiência. A medida, se aprovada, afetará diretamente mais de mil estabelecimentos no Espírito Santo e representa uma mudança significativa na forma como o fitness é oferecido no Brasil.
Detalhes do PL 6.836/2025
O Projeto de Lei nº 6.836/2025, de autoria do deputado federal Duda Ramos, busca estabelecer regras claras de acessibilidade e inclusão nas academias de ginástica. Atualmente, muitas adaptações são feitas de forma voluntária ou parcial, mas o texto transforma essas ações em obrigatoriedade legal. O objetivo central é permitir que idosos e pessoas com deficiência possam praticar atividade física com segurança, dignidade e acompanhamento profissional adequado.
De acordo com o texto, as academias de todo o território nacional terão que implementar uma série de medidas específicas. Entre elas estão a criação de programas de treinamento exclusivos ou adaptados, oferta de horários prioritários ou turmas especiais, atendimento preferencial para esses públicos e a realização de avaliações físicas periódicas obrigatórias. Além disso, será exigida a presença de profissionais capacitados em inclusão e acessibilidade em todos os turnos de funcionamento.
O que muda na prática para as academias
Uma das principais novidades é a obrigatoriedade de adaptação física dos espaços. Rampas de acesso, equipamentos adaptados para cadeirantes, barras de apoio, pisos antiderrapantes, sinalização em braile e áreas de circulação mais amplas deixarão de ser opcionais e passarão a ser exigências legais. As academias também deverão oferecer avaliações médicas e físicas regulares para monitorar a evolução e evitar riscos à saúde dos alunos mais vulneráveis.
Especialistas em saúde pública veem a proposta com bons olhos. “A atividade física regular é fundamental para a prevenção de doenças crônicas, especialmente entre idosos. Hoje, muitas pessoas deixam de frequentar academias por falta de estrutura adequada ou receio de não serem bem atendidas”, explica a fisioterapeuta e professora universitária Dra. Carla Mendes, que acompanha o tema. Segundo ela, o envelhecimento da população brasileira torna essa discussão ainda mais urgente.
Impacto direto no Espírito Santo
No Espírito Santo, o setor fitness é robusto, com mais de 1.000 academias registradas em todo o estado. A aprovação do projeto deverá gerar um impacto considerável na operação desses negócios. Empresários do ramo preveem aumento nos custos operacionais, pois será necessário investir em reformas, aquisição de equipamentos especializados e capacitação contínua de instrutores.
Por outro lado, muitos donos de academias já começam a enxergar o lado positivo. “Quem se preparar antes vai sair na frente. O público idoso e PCD representa uma fatia crescente do mercado e tem alta fidelidade quando se sente bem acolhido”, afirma João Silva, proprietário de uma rede de academias na Grande Vitória. A expectativa é que o investimento inicial seja compensado a médio prazo com o aumento do número de alunos e a melhoria da imagem institucional.
A adaptação também deve atingir o modelo de atendimento. Turmas exclusivas para a terceira idade, com foco em equilíbrio, força muscular e prevenção de quedas, e sessões adaptadas para diferentes tipos de deficiência deverão se tornar comuns. O texto ainda prevê que as academias mantenham parcerias com profissionais de saúde para um acompanhamento multidisciplinar.
Campanha Nacional de Promoção da Atividade Física Inclusiva
Além das obrigações diretas aos estabelecimentos, o PL 6.836/2025 prevê a criação da Campanha Nacional de Promoção da Atividade Física Inclusiva. As ações serão coordenadas pelos Ministérios da Saúde e do Esporte, com ênfase especial durante o mês de abril. A iniciativa pretende conscientizar a população sobre a importância da prática regular de exercícios e incentivar municípios e estados a aderirem às novas regras.
No Espírito Santo, entidades como o Conselho Estadual do Idoso e associações de pessoas com deficiência já manifestaram apoio à proposta. “É um avanço civilizatório. Saúde não é privilégio de quem é jovem e saudável. Todos têm direito ao bem-estar”, destacou a presidente da Associação Capixaba de Idosos, Maria do Carmo Oliveira.
Tramitação e próximos passos
O projeto ainda está em fase inicial de análise nas comissões da Câmara dos Deputados. Caso avance rapidamente, pode seguir direto para o Senado Federal, sem necessidade de votação em plenário na Câmara, o que aceleraria sua transformação em lei. No Espírito Santo, deputados estaduais já acompanham o tema e discutem a possibilidade de legislações complementares em nível local.
Enquanto isso, o setor de academias se mobiliza. Associações representativas têm promovido debates internos para avaliar o impacto econômico e preparar os associados para as futuras exigências. A tendência é que as academias mais modernas e bem estruturadas consigam se adaptar com maior facilidade, enquanto as menores podem enfrentar maiores desafios.
Uma nova mentalidade no setor fitness
Para além dos aspectos técnicos, o PL representa uma profunda mudança de mentalidade. As academias deixarão de ser vistas exclusivamente como espaços de estética e performance para se tornarem também ambientes de promoção da saúde pública e inclusão social. Essa transição alinha o setor fitness às políticas nacionais de envelhecimento ativo e acessibilidade universal.
Médicos e nutricionistas reforçam que a prática de exercícios adaptados traz benefícios comprovados: redução da pressão arterial, controle da glicemia, melhoria da densidade óssea, diminuição de sintomas depressivos e maior autonomia na vida diária dos idosos. Para pessoas com deficiência, a atividade física regular contribui significativamente para a integração social e a qualidade de vida.
A discussão também ganha força em um momento em que o Brasil enfrenta o envelhecimento acelerado de sua população. Estimativas indicam que, até 2050, o número de idosos no país ultrapassará os 70 milhões. Garantir que esse público tenha acesso seguro à atividade física é, portanto, uma questão de saúde pública de alta relevância.
Redação Portal Vitória em Dia
Fontes Consultadas
- Câmara dos Deputados – Portal Oficial – Acompanhamento do Projeto de Lei 6.836/2025 e tramitação legislativa.
- Ministério da Saúde – Dados sobre envelhecimento populacional e benefícios da atividade física.
- Governo do Estado do Espírito Santo – Estatísticas do setor de academias e políticas de inclusão social.
- Organização Mundial da Saúde (OMS) – Recomendações globais sobre atividade física para idosos e pessoas com deficiência.


