Desenhos e relatos expõem abusos contra adolescentes no ES

Desenhos e relatos expõem abusos contra adolescentes no ES

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Desenhos e depoimentos de vítimas levaram à identificação de ao menos quatro casos de violência sexual contra adolescentes no Espírito Santo, investigados pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). As denúncias chegaram à autoridade policial entre março e junho de 2026 e envolveram ocorrências em Vitória, Cariacica e Serra. As investigações apontaram padrão de abusos em residências, geralmente durante ausências da mãe ou em contextos de dependência econômica e ameaça.

Relato de adolescente em Vitória e prisão em Cariacica

Em Vitória, uma jovem de 13 anos confidenciou a uma professora que sofria abusos do próprio pai quando a mãe saía para trabalhar; a mãe registrou o caso na DPCA em março de 2026. O homem foi localizado e teve prisão preventiva cumprida em Cariacica na semana anterior à publicação desta reportagem, em outubro de 2026. Durante o interrogatório na delegacia, ele negou os fatos e afirmou conviver com diagnóstico de esquizofrenia, alegando que surtos o levavam a obedecer “vozes”.

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Abusos prolongados em outra família de Cariacica

Outro registro em Cariacica, formalizado em junho de 2026, teve como vítima uma jovem de 15 anos que relatou agressões sexuais pelo padrasto desde os 7 anos de idade. Segundo o delegado adjunto da DPCA, Júlio Cesar Cortina, os atos teriam evoluído de toques e outras condutas sexuais para relações sexuais a partir dos 12 anos da menina. Após o boletim de ocorrência, a vítima foi encaminhada ao setor psicossocial e confirmou detalhadamente os episódios, apontando a residência como local frequente dos crimes.

A adolescente contou que os abusos aconteciam inclusive em seu quarto, por vezes na presença da irmã mais nova, que dormia no local e, por isso, não percebeu os acontecimentos. A jovem disse ter omitido os crimes por medo e coerção psicológica: o agressor era o único com trabalho formal na casa e ameaçava a família afirmando que, se a denúncia viesse à tona, ele cortaria o sustento, deixando mãe e filhas sem comida.

Contexto das denúncias e medidas adotadas

De acordo com o delegado Cortina, o depoimento da mãe, coletado durante a escuta especializada, corroborou o que a adolescente relatou. A mãe relatou ter percebido mudança de comportamento do homem em relação à filha quando ela tinha 13 anos, mas foi desacreditada ao confrontá-lo na ocasião. O relacionamento entre eles terminou antes da formalização do boletim; a revelação dos abusos ocorreu quando, em junho de 2026, a mãe comentou a possibilidade de retomar a relação e a filha então descreveu os episódios, que, segundo seu relato, teriam começado em 2019.

Diante da gravidade e da continuidade dos relatos, a polícia solicitou prisão preventiva do investigado, medida que foi autorizada pela Justiça e executada. O suspeito nega as acusações. As vítimas receberam acompanhamento psicossocial a partir do registro das ocorrências, conforme prática padrão da DPCA para preservação e apoio às crianças e adolescentes em situação de violência.

Implicações e proteção das vítimas

Os casos expõem padrões frequentemente identificados em investigações de violência sexual intrafamiliar: silêncio imposto pela dependência econômica, ameaças e presença de menores no mesmo espaço físico. Profissionais que realizam a escuta especializada apontam que instrumentos como desenhos, confidências a adultos de confiança e mudanças comportamentais são sinais importantes para detectar potenciais situações de abuso.

As investigações seguem em curso na DPCA, que atua em parceria com serviços de assistência social e de saúde para garantir proteção, medidas judiciais cabíveis e suporte às vítimas e suas famílias. Autoridades reforçam a necessidade de denúncia por meio das delegacias ou dos canais de acolhimento para crianças e adolescentes, incluindo o Disque 100, quando houver suspeita de violência.