Cerca de 150 investidores da Apex se mobilizam e estudam criar associação para negociar dívidas

Cerca de 150 investidores da Apex se mobilizam e estudam criar associação para negociar dívidas

Economia

Sede da Apex Partners na Praia do Suá, Vitória.

Foto: Carlos Alberto Silva

Investidores e credores ligados à Apex Partners e à Rhino Securitizadora iniciaram uma mobilização para atuar de forma coletiva diante da crise financeira que afeta o grupo. Um fórum independente realizado no sábado (29) em Vitória reuniu cerca de 150 pessoas cadastradas em busca de informações sobre seus investimentos e de estratégias conjuntas.

Organizadores do encontro afirmaram que a ideia é estudar a criação de uma associação que represente os pequenos investidores em negociações com a empresa e — se necessário — em ações judiciais. Segundo Solano Madeira, um dos responsáveis pela organização, o agrupamento visa negociar formas de pagamento e estabelecer prioridades na sequência de quitação de créditos em eventual recuperação judicial.

O movimento se apresenta como iniciativa autônoma, sem vínculo formal com a Apex Partners ou com a Rhino Securitizadora. No cadastro há pessoas com diferentes tipos de exposição: detentores de debêntures Rhino/Apex, cotistas de fundos ligados à Carbyne e investidores com pagamentos vencidos ou pendentes. Os organizadores ressaltam, entretanto, que o fórum não substitui instâncias previstas em lei, como o Comitê de Credores da Lei 11.101/2005, nem equivale a uma assembleia de credores ou de debenturistas, tampouco autoriza automaticamente representações em processos judiciais.

Participantes apontaram preocupação com a multiplicidade de produtos financeiros e a complexa estrutura societária do grupo, o que dificulta ações individuais. Segundo os organizadores, a união dos investidores de menor porte pode aumentar a capacidade de negociação frente a credores maiores.

Alguns credores já ingressaram com ações na Justiça, enquanto outros aguardam decisões sobre a medida cautelar ajuizada pelos atuais administradores da empresa. Os advogados que acompanham investidores no caso, Lucas Judice e Bernardo Leite, afirmam que o cenário ainda é incipiente e que muitos credores não têm clareza sobre quais providências adotar, dada a diversidade de investimentos e a falta de informações consolidadas.

Auditoria e tamanho do passivo

Documentos apresentados na medida cautelar indicam um endividamento próximo de R$ 1 bilhão até 30 de junho de 2026. Esse montante, segundo advogados, poderá ser revisto por uma auditoria que irá analisar não só os dados de junho, mas também registros posteriores e a composição das diversas obrigações.

Entre os valores que ainda precisam ser conferidos estão:

  • R$ 452,1 milhões em debêntures emitidas;
  • R$ 309,8 milhões em obrigações de cashback;
  • R$ 201,7 milhões em dívidas bancárias;
  • R$ 35,2 milhões em tributos em atraso.

Os advogados alertam que os números podem se reduzir ou aumentar à medida que a auditoria avance e que até a quantidade de debêntures emitidas pode variar em relação ao levantamento preliminar.

Falta de documentos e estrutura complexa

Outro ponto destacado pelos representantes dos investidores é a dificuldade de acesso a documentação. A auditoria indicada nos autos relatou problemas para obter documentos da Apex, e há pendências sobre informações básicas referentes às empresas que compõem o grupo.

Segundo as apurações, o conglomerado reúne cerca de 178 pessoas jurídicas, o que torna mais complexa a verificação das relações financeiras entre as empresas e a análise individual de cada companhia.

Pedidos de diálogo e centralização de informações

Advogados e investidores defendem a criação de um canal de comunicação mais estruturado entre a empresa, debenturistas e eventuais credores. Há registro de reuniões da Apex com investidores ligados a Sociedades de Propósito Específico (SPE) imobiliárias, mas os participantes dizem que as respostas recebidas ainda são insuficientes para esclarecer dúvidas fundamentais.

Os organizadores do fórum também criaram um site para centralizar informações e permitir que investidores encaminhem perguntas à Apex, na tentativa de ordenar a comunicação entre as partes.

Por fim, os advogados alertam que a própria medida cautelar impõe limitações a ações individuais de cobrança no momento. Caso a recuperação judicial não seja requerida ou não avance, a expectativa é que investidores adotem medidas próprias para tentar recuperar recursos.

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via A Gazeta – Economia