O julgamento de Victor Gabriel, zagueiro do Internacional, realizado na terça-feira (28) no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), teve um episódio incomum: a apresentação de um arquivo de áudio que estava sendo atribuído à comunicação entre o árbitro de campo e a cabine do VAR, posteriormente identificado como falso.
O áudio foi exibido pela defesa do Internacional como prova do que teria sido dito no lance que resultou na expulsão do jogador, por falta em Gabriel Pec, do Cruzeiro. O atleta do time mineiro sofreu fratura na perna esquerda após a jogada.
Durante a fase de votações, auditores perceberam, diante da repercussão nas redes sociais e de mensagens recebidas, indícios de que o trecho apresentado não correspondia ao protocolo usual de comunicação do VAR. Uma verificação no site da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não indicou a divulgação de qualquer gravação referente ao lance de Inter x Cruzeiro.
Diante da constatação, os auditores chegaram a considerar a suspensão do julgamento para apurar a origem do arquivo. O advogado do Internacional, Rogério Pastl, pediu a continuidade da sessão, sugerindo que a peça fosse desconsiderada como prova. Em seguida, o representante legal reconheceu que o arquivo havia sido juntado por engano e sem intenção.
Ao final da sessão, a votação resultou em decisão favorável à aplicação de suspensão a Victor Gabriel enquanto perdurar a recuperação de Gabriel Pec — medida que ainda pode ser objeto de recurso pelas partes.
O caso coloca em evidência a necessidade de checagem imediata de provas digitais em processos disciplinares esportivos e reafirma o papel do STJD na análise de condutas que envolvem lesões graves e uso de material audiovisual em defesas.
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