O atacante David Corrêa, do Vasco da Gama, prestou depoimento à Polícia Civil do Rio de Janeiro na terça-feira (1º de setembro de 2026) em desdobramento da operação denominada “A Tropa”, deflagrada pela Polícia Civil do Espírito Santo. Ele é investigado em conjunto com o lateral-direito Hayner William Monjardim Cordeiro, atualmente no Vila Nova (Goiás). Ambos nasceram no Espírito Santo e tiveram mandados de busca e apreensão cumpridos na segunda-feira (31 de agosto de 2026).
Segundo o colunista Diogo Dantas, durante o depoimento David admitiu conhecer pessoas no Espírito Santo que aparecem nas apurações, mas negou qualquer participação em tráfico de armas ou de drogas. Os celulares dos dois atletas foram apreendidos pela polícia.
A investigação busca esclarecer a possível relação dos jogadores com Ruan de Freitas Camargo Cruz, apontado pelas autoridades como um dos executores do homicídio de Wellington de Souza Lima, de 47 anos, ocorrido em março de 2024, na Serra (Grande Vitória). De acordo com a apuração, a ordem para o ataque teria sido passada por videochamada a partir de dentro de um presídio no Rio de Janeiro; o carro da vítima foi alvo de 79 disparos, 27 dos quais atingiram Wellington.
Durante a operação, equipes policiais cumpriram mandados em endereços no Espírito Santo, no Rio de Janeiro e em Goiânia. No Rio, agentes estiveram na residência de David, na Barra da Tijuca, e apreenderam dois aparelhos celulares. O jogador acompanhou as buscas e, posteriormente, foi à 14ª Delegacia de Polícia (Leblon), pedindo que o interrogatório fosse realizado em outra data.
Representantes dos clubes informaram que os atletas manifestaram disposição em colaborar com as investigações. O diretor executivo de futebol do Vasco, Admar Lopes, declarou que o clube está cooperando com as autoridades e que o jogador segue trabalhando normalmente. O Vila Nova informou que os mandados cumpridos contra Hayner em Goiânia ocorreram na casa do atleta e no centro de treinamento, tendo sido vistoriado apenas o armário pessoal do jogador, que, segundo o clube, nega envolvimento com atividades ilícitas.
O empresário de David, André Cury, afirmou que o atleta é de origem humilde, mas negou qualquer ligação dele com o crime organizado.
Conforme informações da Secretaria da Justiça do Espírito Santo (Sejus), os alvos da operação e a situação prisional são:
- Ruan de Freitas Camargo Cruz: preso no Centro de Detenção Provisória do Complexo Penitenciário Rodrigo Figueiredo da Rosa, em Viana, desde 20 de agosto de 2024. Possui registros por homicídio qualificado, tráfico de drogas, roubo circunstanciado pelo concurso de pessoas, posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e dano qualificado, além de antecedentes entre 2017 e 2022.
- Edson Vander da Silva Júnior: também recolhido ao mesmo complexo desde 20 de agosto de 2024, com registros por homicídio qualificado e posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
- Arildo Alves de Oliveira: teve passagem pelo sistema prisional entre 21 de janeiro e 21 de março de 2026, relacionada a dívida de pensão alimentícia.
- Raphael Marim de Lima: sem registros no sistema prisional.
A Polícia Civil do Espírito Santo informou que o nome da operação faz referência à forma como os próprios investigados se referiam ao grupo criminoso. Dois dos mandados cumpridos na ação foram executados contra alvos que estavam em liberdade; um desses foi preso em flagrante por posse de arma de fogo. Outros mandados foram cumpridos contra pessoas já custodiadas no sistema prisional.
A operação tem o objetivo de aprofundar a apuração sobre a atuação do grupo e definir o nível de envolvimento dos demais investigados, incluindo a eventual participação de pessoas ligadas aos atletas na prática de crimes.
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